quarta-feira, 6 de junho de 2018

Livre arbítrio: o problema (e a solução) da escolha

Hoje devido a uma aula de um dos cursos que dou aqui em Campos, comecei a refletir profundamente sobre a questão das escolhas. Não só pela aula, mas também por ser uma problemática recorrente na clínica (e na vida!), que surge de diversas formas, mas sempre em torno da mesma questão: a dificuldade e o medo de escolher.

O tal livre arbítrio seria uma dádiva ou um tormento? Na minha opinião pode ser ambos, dependendo da maneira como lidamos com esse poder. De fato independente de ser um presente ou um castigo dos deuses, é um poder que todos nós temos e precisamos aprender como usá-lo.



Não é raro ver pessoas com um medo tremendo de tomar decisões sérias na vida. Talvez até mesmo algumas paralisações patológicas, como a crise de pânico por exemplo ou a depressão, sejam também um medo inconsciente de tomar uma atitude, de se mover, decidir, escolher, agir...pois o que virá depois? Obviamente as consequências. E se você escolheu sozinho essas consequências serão de sua responsabilidade e daí vem o enorme medo que muitas pessoas apresentam de agir na vida.

Isso pode ser bem mais profundo do que parece. A famosa "zona de conforto", aquela posição que nem sempre é confortável, mas é conhecida, muitas vezes nos deixa totalmente estagnados e, não raro, estagnados no sofrimento. E mesmo com o sofrimento ali presente, o medo de escolher um caminho, escolher mudar, ainda permanece maior. E se o livre arbítrio, esse poder de escolher e decidir as próprias ações e os próprios caminhos, é uma capacidade de todo ser, porque temos tanto medo de utiliza-lo? Como disse anteriormente toda escolha, toda ação, tem uma consequência. Nosso medo é de sermos responsáveis pela nossa própria vida. Pela nossa própria felicidade ou infelicidade. 


Então escolher não é tão simples. Escolher está atrelado a ser responsável por si mesmo e pela sua vida e isso está totalmente relacionado ao seu nível de amadurecimento emocional. Quando crianças temos o pai e a mãe, ou adultos que fazem esse papel, para escolher pela gente. O nome já diz são os "responsáveis" pela criança. Responsável é aquele que "responde por". Os pais respondem pela criança, por suas ações e às vezes até por suas falas, pois entendem que a criança ainda não desenvolveu amadurecimento emocional suficiente para responder por si mesma. Muitos pais estendem esse processo além do necessário, e muitas pessoas se acomodam nessa posição, que parece confortável, de ter o outro se responsabilizando por você, transferem essa relação para o marido ou para a esposa, para um líder da nação, para um líder religioso, ou enfim, para Deus. Porém ter sempre alguém "respondendo por você" é abrir mão da sua própria voz. 

Essa voz, esse ego, deveria ter sido construído e fortalecido gradativamente e naturalmente ao longo do amadurecimento de cada um. A criança precisa gradativamente ter o seu espaço, a sua voz, decidir a roupa que quer usar, como quer seu corte de cabelo, pequenas coisas desse tipo que não a farão mal algum e que vão construindo sua personalidade, para no futuro começar, aos poucos, a tomar decisões mais contundentes, inicialmente com a ajuda e aconselhamento dos adultos e numa idade ideal, sozinha. Porém como falamos antes esse processo nem sempre acontece, pois nem sempre os pais tem esse entendimento. E muitas vezes acontece também o oposto, a pessoa é forçada (devido à necessidades externas) a se responsabilizar antes da hora, por questões, pessoas ou situações que não condizem com seu amadurecimento emocional. Isso também gera uma sensação de profunda insegurança. Mais ainda se alguma coisa "der errado" nessas escolhas, a pessoa pode crescer com uma culpa ou um arrependimento paralisante.


Preciso inclusive fazer um parentese sobre o arrependimento, que está totalmente atrelado à questão das escolhas. Muitas pessoas carregam arrependimentos por toda a vida, e começam a ter dificuldade de lidar com decisões grandes, por essa sensação de que escolheram "errado". Aqui a aceitação é a chave, você fez uma escolha e mesmo que tenha sido uma escolha impulsiva ou inconsciente, naquele momento foi o que você poderia lidar, o que a sua consciência era capaz de escolher, então foi o melhor pra você, não importa o que seja.

Jung traz em sua teoria a ideia de que não vivemos nada por acaso, tudo que vivemos faz parte do nosso próprio processo de individuação, isto é, de amadurecimento, e no momento que aceitamos isso, compreendemos um sentido maior em tudo o que vivemos. Além disso quem somos hoje foi construído também, em parte, pelas nossas experiências passadas. Se ame no presente e você será grato à todas elas, simplesmente por ser quem você é hoje. Isso não significa ser "vítima" dessas experiências passadas, mas sim aprender com elas e ter a consciência de que elas fazem parte de você.


A saída para a questão das escolhas é por um lado aceitar a responsabilidade por você mesmo e por sua própria vida. Sair da posição de vítima das circunstâncias para a posição ativa de quem está segurando as "rédeas" e escolhendo o caminho. E por outro lado buscar estar o mais consciente possível a cada encruzilhada. É necessário conectar o seu ego com "algo maior", seu Self, seu deus interior, sua essência, ou como quiser chamar. É aquele algo que une o racional, o emocional e a certeza transcendente de que é por ali que se deve seguir. Essa conexão só acontece através do autoconhecimento profundo.

Tem um ditado popular que diz que ignorância é uma benção, mas na verdade é exatamente o contrário. Nós causamos nosso próprio sofrimento por ignorância, por não termos consciência das nossas escolhas e responsabilidade sobre as consequências delas. Sem autoconhecimento como vamos nos libertar do sofrimento?


quinta-feira, 17 de maio de 2018

A arte de Ressignificar

"Ressignificar: é um verbo transitivo que caracteriza a ação de atribuir um novo significado a algo ou alguém."
"Significado: forma representativa e mental que se relaciona com a forma linguística; o que o signo quer significar; a parte do signo linguístico definida pelo conceito."

O significado demonstra uma relação entre a mente e a linguística. Isto é, o significado de algo representa um conceito associado àquele algo em questão, provavelmente há muito tempo. Seria fácil então a tarefa de ressignificar?

Trago esses conceitos literais para dizer pra vocês que ressignificar é, ao meu ver, uma arte. Uma arte que exige desapego e sacrifícios. Não é fácil, porém é essencial para qualquer um que deseja trilhar um caminho de transformação. É uma ação que está em tudo, quando você começa a mover a sua vida no sentido da mudança que você realmente deseja. E sinto dizer que, sem ressignificar, essa mudança provavelmente não irá acontecer.



Imagina que você passou toda a sua vida sabendo que as folhas das árvores são verdes e que o céu, de dia e sem nuvens, é azul. Isso é uma verdade para você certo? E com certeza pra mim, e para todos. Porém um certo dia aparece uma pessoa estranha e diz pra você que não é nada disso, que as folhas e o céu podem ser da cor que você quiser. Ele com certeza será visto por você por mim e por todos como um louco, e ninguém acreditará  em suas palavras, porque não é a nossa verdade.

E é com isso que mexemos quando buscamos ressignificar algo, com a nossa verdade. Não é tão diferente deste exemplo uma pessoa que cresceu com os pais dizendo que trabalhar é sofrido, que não se ganha dinheiro com o que gosta, que dinheiro só vem com muito esforço. Ou outra que cresceu em uma família que disse pra ele que homem não chora, não pode ter sentimentos e pra ela que mulher não tem desejo, tem que ser pura, delicadinha e graciosa. Ou ainda uma outra que ouviu desde pequeninha que não teria capacidade de conseguir realizar seus próprios sonhos, ou que ter anseios e vontade própria é pecado.


São tantos exemplos que não teria nem como descrever, mas o pior é que todos eles são verdades para quem os ouviu. Porque eles aprenderam e viveram essa realidade, desde crianças, escutaram essas supostas verdades assim como escutaram que o céu é azul e as folhas verdes. E ainda existem as experiências que temos durante a vida, ou que vemos os outros terem, e que marcam também supostas verdades em nossa mente. Um trauma forte na infância por exemplo pode transformar totalmente o mundo daquela pessoa. Ela pode crescer com uma sensação de medo, de insegurança, de que o mundo é ameaçador. Mas então ressignificar é possível?

Conforme diz o dicionário, atribuir novo significado não só a algo como à pessoas ou situações é totalmente possível, e inclusive, muito saudável. Um exemplo claro de ressignificar é o que precisamos todos fazer em relação aos nosso pais quando crescemos. Faz parte do amadurecimento tirar os pais de uma posição idealizada, de "super heróis" ou de uma posição subvalorizada, de cobrança, de que "deveriam ter feito isso ou aquilo", e enxergarmos eles como seres humanos com suas qualidades, defeitos e questões pessoais como qualquer outro ser humano. E a partir daí nos responsabilizarmos por nossas próprias vidas. Isso é uma ressignificação dos pais.

Podemos fazer isso com tudo que aprendemos, ouvimos e absorvemos como verdade e até mesmo com acontecimentos e experiências do passado. E aí você pensa "como assim? eu não posso mudar o passado!" Exatamente. Você não pode mudar o passado, mas você pode mudar a forma como você olha pra ele. Você não pode mudar algo que já aconteceu, mas você pode mudar totalmente a maneira como você compreende e lida com o que aconteceu. E essa é uma dica preciosa que pode te curar de muitas coisas e transformar toda a sua vida.

Um exemplo clássico: Culpa. Você olha para uma situação do passado e sente culpa. Dependendo da intensidade essa culpa te perturba, te paralisa, te traz diversos males no presente. Essa culpa é um sentimento seu. Ela não faz parte da realidade do fato, seja ele qual for. Ela está apenas dentro de você. Não estamos julgando aqui certo ou errado, a questão é que o fato já aconteceu, seja o que for que tenha sido feito, já foi feito. E se compreendemos a situação que passou e aprendemos com ela; se entendemos porque passamos por aquela situação e o que aquilo gerou dentro de nós e lidamos com isso tudo, a culpa se torna desnecessária.

Esse é só um exemplo de milhões de sentimentos que carregamos do passado como uma bagagem infinita que não cabe em nenhum voô e nos impede de voar, de nos movimentar. A chave está em compreendermos que só depende da gente desapegar dessa bagagem, e que precisamos fazer isso para conseguirmos continuar nosso caminho sem todo esse peso que nos impede. O primeiro passo é nos questionar: "Isso serve pra mim agora? Esse sentimento me ajuda em algo no presente?" Se não ajuda, desapegue. É como limpar um armário, pra que guardar um monte de roupas que não servem mais em você?



O nosso ego muitas vezes se identifica com o que passamos, vivemos ou mesmo o que sofremos, e essas questões se tornam de alguma maneira um valor pro ego. Precisamos buscar a clareza de nos questionar, "isso me faz bem realmente? Ou é apenas um apego do meu ego?" E se for apenas um apego, desapegue-se. Só devemos guardar nessa bagagem o que nos ajuda a crescer de alguma forma, tudo além disso é peso desnecessário para carregar nessa jornada. Uma jornada que vai exigir esforços, escaladas e vão surgir obstáculos no caminho...e como vamos ultrapassá-los com todo esse peso nas costas? 

Ressignificar, significar de novo, olhar novamente e atribuir um novo significado, um significado que te ajude e te sirva no presente. Sem julgamentos maniqueístas, sem se importar com os julgamentos dos outros, o significado é seu, só seu. Essa arte é transformadora e pode te libertar de infinitos grilhões.


sábado, 7 de abril de 2018

Medo: Como lidar?

"Está com medo? Vai com medo mesmo!"
Essa frase popular pode parecer exagerada, mas realmente existe nela um sentido, uma mensagem que precisamos escutar e compreender. Sim, muitas vezes o medo paralisa, mas existem formas de lidar com o medo e não se deixar paralisar. Pois se sempre nos deixarmos paralisar pelos nossos medos, nunca iremos encontrar o que está além dele. Quer dizer, se não saímos da nossa "zona de conforto", não crescemos, não nos transformamos e não colhemos os frutos de nossa transformação.


É importante lembrar que o termo "zona de conforto" é um termo usado na psicologia que não significa necessariamente conforto, nem sempre onde estamos está de fato confortável. Muitas vezes queremos mudar, estamos infelizes com a gente mesmo ou com determinados comportamentos ou situações, porém ainda assim estamos em "local conhecido". Sabe aquelas pessoas, principalmente mais idosas, que se acostumaram a morar num local e não mudam de lá de jeito nenhum? Muitas vezes os filhos, a família oferecem uma casa maior, num bairro melhor, ou numa cidade melhor, mas a pessoa não quer se mudar, porque o hábito fala mais alto. É exatamente isso que acontece com todos nós: O hábito fala mais alto.

Todos temos padrões enraízados, comportamentos que repetimos por muitos anos, formas de ver e compreender o mundo que repetimos por muitos anos, formas também de pensar, e transformar isso é sempre difícil, mesmo que não esteja mais nos agradando. Porém se vencemos a barreira do padrão, a linha da "zona de conforto", um universo infinito de possibilidades se abre diante de nossos olhos, a magia realmente acontece.

E é aí que voltamos à nossa frase inicial, muitas vezes é realmente importante fazer um movimento, mesmo que pequeno e mesmo que com medo. Apenas um passo pode te levar pra fora dessa zona conhecida e te impulsionar para continuar. Paralisados não chegaremos a lugar nenhum. Uma vez um professor me disse: "Na dúvida, anda, pois qualquer caminho é um caminho." De fato é importante estarmos conscientes das nossas escolhas, mas muitas vezes o momento é de se movimentar, dar esse primeiro passo em uma direção qualquer, para começar a ampliar a sua visão e ter mais clareza para onde se deve seguir.

Por favor, não alimente os medos

O medo luta para nos paralisar, e ao invés de lutarmos contra ele, podemos dar as mãos à ele e devagarzinho ir caminhando junto, lado a lado, até que ele desapareça. Não adianta fingirmos que não temos medo e nem adianta virarmos seus reféns, pensando e remoendo o quanto ele nos toma. Precisamos sim olhar pra ele, conhecer nossos medos, e com consciência seguir nosso caminho. E a cada passo nos sentiremos mais fortes.

O medo também é um prato cheio para o "auto boicote". Muitas vezes estamos seguindo e crescendo e em algum momento começamos a sentir medo de continuar, e esse medo pode ser uma forma inconsciente de auto boicote. Isto é, temos medo de sermos "bons demais", de ir além, às vezes por crenças limitantes de culpa em relação à nossa família ou à contextos sociais, ou simplesmente porque é uma grande responsabilidade realizar o que realmente queremos realizar. É difícil se responsabilizar pelo seu próprio sucesso e felicidade. Muitas vezes é mais fácil reclamar, culpar e se acomodar.

Precisamos estar atentos à esses mecanismos internos e sempre que surgir o medo, olhar sim pra ele, procurar entender, mas não paralisar. O primeiro passo é o que mais importa. Por menor que seja esse passo ele te levará para além da paralisação, isto é, para além do medo, e assim você saberá que consegue seguir. A nossa natureza busca o equilíbrio e a totalidade, muitas vezes seguir o fluxo natural que a vida nos mostra e que sentimos dentro do nosso Ser, vai nos levar exatamente onde precisamos ir. Apenas siga!


quinta-feira, 15 de março de 2018

Autoconhecimento e Transformação: Como fluir com a vida

"É fundamental encontrar um ritmo entre as experiências externas e o seu Ser interno. É como dirigir numa estrada. Você dirige de acordo com as condições da estrada. Você precisa estar atento e ter uma percepção clara das condições da estrada e adaptar a sua direção à ela, como uma troca. 
Seria loucura querer que a estrada se modificasse magicamente só porque você deseja, porque está com pressa ou algo assim. Se você tentar modificar a estrada é provável que ela que te modifique, pois você acabará em um acidente. Esse ritmo, essa troca você encontra quando aceita o que a estrada é, observa e dirige de acordo com suas condições. Isso é o que deveríamos buscar na vida. Aceitar quem somos e aceitar as experiências que surgem, o momento presente, e dançar com ele no nosso ritmo." (Chogyam Trungpa - Transcending Madness)


Essa passagem do Livro Transcending Madness resume sabiamente uma resposta para a grande parte dos nossos problemas e sofrimentos. Se você se conhece e sabe quem você é, você sabe que você é um ser único. Não existe ninguém igual à você no planeta. No momento que entendemos isso à comparação perde o sentido, porque eu vou me comparar com alguém se eu sei que eu não sou igual aquela pessoa? Se você conhece a sua luz e a sua sombra, você reconhece também que todos tem luzes e sombras, logo ninguém é melhor ou pior, cada ser tem uma história, uma forma de lidar com as experiências, uma forma de absorver essas experiências e desenvolver características diferentes a partir disso. Você sabe que nunca poderá fazer algo ou ser algo igual a alguém, e isso passa a ser maravilhoso! Você sente que é um ser único e essa individualidade passa a ser o seu poder!

E se junto com essa certeza de ser, você aceita as experiências da sua vida e o momento presente ao invés de lutar contra ele ou se lamentar, toda a sua vida começa a fluir. Você começa a ter clareza do que precisa ser feito, de onde e como pode caminhar. É só pensar assim: Se temos um problema de matemática pra resolver, como na época do colégio, o que a professora sempre orientava? "Leia o enunciado várias vezes, compreenda o problema e qual a solução que está sendo pedida!" Certo? Você não tem como resolver a questão se não tiver conhecimento dessa questão. E se você achar a questão muito difícil e começar a se lamentar "Porque essa questão logo hoje, logo pra mim, meu deus não vou conseguir resolver, porque essa professora fez isso comigo, tadinho de mim..." Você vai resolver? Também não né?


É isso que fazemos na vida. Não compreendemos as questões, não olhamos pra elas, ficamos negando, fingindo pra nós mesmos que não aconteceu ou não está acontecendo, ou quando resolvemos olhar nos assustamos e nos paralisamos em posições de vitimização, reclamando, nos sentindo injustiçados, reclamando mais e mais... E nada disso resolve.

Então quando você olha pra questão, seja ela qual for, com clareza, calma e serenidade, entende, compreende e ACEITA, você transforma. Somente aceitando é que podemos resolver ou transformar. Mais antes de olhar para questão você precisa fazer o mesmo processo com você mesmo: Se olhar com calma e serenidade, se compreender e se ACEITAR. Aí sim, só então, você saberá a sua maneira de lidar e de resolver aquela questão. A sua maneira não é igual a de ninguém. Não adianta olhar pra fora, perguntar para 15 amigos, cada um dá uma opinião diferente e você fica ainda mais confuso...O que adianta é você se conhecer e saber a sua forma única de lidar com aquilo. Claro que muitas vezes pedir ajuda é importante, mas até mesmo para pedir ajuda é preciso se conhecer antes, para saber seus próprios limites, saber que você foi até o seu máximo e agora você precisa de uma energia que você ainda não tem para complementar. 


Aceitação não é estagnação. Aceitar não é silenciar. Aceitar não é concordar. Aceitar é simplesmente não negar. É dizer pra você mesmo:

"Sim isso está acontecendo, e agora como resolvo? Eu quero permanecer nessa situação ou transformá-la?" 
"Sim, isso aconteceu comigo. E hoje onde isso ainda me influencia, como posso lidar com isso?" "Sim eu sou assim. eu quero continuar sendo assim, essa característica me faz bem? faz bem para outros?" 
"Sim ele/ela é assim. Eu quero essa pessoa do meu lado? Eu posso ajudar ele/ela a transformar essa característica caso ele/ela queira."
"Sim o planeta está de tal forma, sim a humanidade tem milhões de problemas, como eu posso ajudar? Como eu posso lidar com isso? Como posso fazer minha parte?"

Aceitar é se responsabilizar pela sua própria vida.
E é a única chave para transformação.

Enquanto continuarmos negando a nós mesmos, querendo nos adaptar a mecanismos que não fazem sentido para nós, nos fazendo mal, nos comparando, nos colocando pra baixo devido à essas comparações, aceitando que uma sociedade doente nos diga o que fazer ou como agir...a mudança estará longe. O primeiro passo é olhar pra si mesmo e SER quem você é.

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Nesse sábado no Espaço Terapêutico Alquimia do Ser em Campos dos Goytacazes vamos ter um Workshop totalmente voltado para o autoconhecimento com diversas técnicas da Psicologia Analítica que vão te ajudar a entrar em contato e reconhecer o seu ser mais essencial, suas características mais naturais, e perceber se você está aplicando elas na sua vida.
Mais informações em EVENTOS

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Auto Cuidado: Se responsabilizando pelo seu bem estar

Como anda o seu auto cuidado?
Você tem feito bem pra você mesmo?

Muitas vezes reclamamos das circunstâncias "externas" do nosso dia a dia, ou de pessoas que "nos fazem mal" de alguma forma e não percebemos que o pior "mal" é aquele que fazemos com a gente mesmo. Ou o que permitimos que façam.
De hoje em diante observe como você está alimentando o seu corpo e a sua mente.
Alimento é tudo que você "coloca pra dentro" de você. Não só a comida e a bebida em si, como as palavras que você ouve e pensa, as pessoas que convive e conversa, os filmes que vê, as músicas que escuta...tudo isso é alimento e às vezes é preciso um detox!


Estamos muito acostumados a colocar a responsabilidade sobre o nosso bem estar fora da gente, culpamos a nossa rotina corrida, o trabalho que nos exige demais, ou as tarefas da casa e filhos, a família que nos solicita, amigos com problemas que queremos ajudar...enfim sempre culpamos as circunstâncias e costumamos afirmar que não temos tempo suficiente para cuidar da gente mesmo. Mas será que isso é verdade? 

Você já parou pra pensar que no momento que coloca a responsabilidade fora de você, no outro ou nas circunstâncias, você imediatamente se torna incapaz de mudar?

É como se você literalmente desistisse. Nós não temos como mudar o outro, ou as circunstâncias externas que não dependem de nós, e se você acredita que a "culpa" pelas suas dificuldades e problemas está no outro ou nessas circunstâncias, você se declara imediatamente incapaz de transformá-las. Já pensou como isso é forte? 

A partir do momento que você se responsabiliza pelas suas ações, pelas suas escolhas e pelas consequências delas, você retoma as rédeas da sua vida. A partir do momento que você se responsabiliza você retoma o seu poder! Essa é a chave de qualquer transformação. O poder pela sua vida e pelo seu bem estar, é seu! Isso não é maravilhoso?


Então, sim, você pode encontrar um tempo para cuidar de si, e isso deveria ser sua prioridade!
Afinal se não estivermos bem como vamos trabalhar bem? Ou ajudar um amigo ou um parente? Não podemos doar energia se estivermos sem energia dentro de nós. Então primeiro olhe para você, sinta o que seu corpo e sua mente precisam e não caia nos vícios dos hábitos...

Temos diversos hábitos destrutivos na nossa rotina e esses hábitos mascaram o que nosso corpo realmente precisa. Muitas vezes sentimos vontade de beber uma bebida alcoólica ou comer algo gorduroso ou cheio de açúcar, e acreditamos nessa vontade, porém essa vontade não é natural, ela é um hábito que criamos provavelmente por algum motivo emocional (estresse, fuga das emoções, etc). Precisamos ficar mais atentos ao que está "por baixo" desses padrões e ouvir o que nosso corpo e nossa mente realmente precisam. 


A meditação é uma dica, meditar diariamente ajuda muito a entrar em contato com nossas necessidades naturais. Então uma dica importante para começar a se cuidar é: Medite todos os dias, por 5 minutos que seja. Preferencialmente ao acordar. Você já estará dando o primeiro passo no caminho do auto cuidado, separando 5 minutos diários só pra você e para o seu bem estar e ao mesmo tempo estará entrando em contato mais profundo com você e com as suas necessidades naturais.

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Não sabe meditar? Quer aprender e começar a incluir a prática na sua rotina?
Entre em contato comigo que eu posso te ajudar! (mesmo à distância!) :)
(22)999630564
https://www.facebook.com/vanessamartins.terapiajunguiana
vanessa.cmartins@gmail.com 



sábado, 3 de fevereiro de 2018

Ânima Ânimus e o Casamento Alquímico

Um dos aspectos mais importantes que Jung desvendou sobre o inconsciente foi a existência da Ânima e do Ânimus. Segundo ele todos nós temos aspectos masculinos e femininos inconscientes, independente de gênero, e parte do processo de auto conhecimento é aprendermos a integrar esses dois aspectos, que muitas vezes parecem opostos, mas na verdade são complementares.

Essa integração na alquimia se chama "Casamento Alquímico".


O outro pode nos servir como um espelho e auxiliar nessa integração, claro se não repelirmos ou julgarmos o que não compreendemos, como costumamos fazer.

Esses aspectos normalmente são extremamente reprimidos em nós, pois a nossa sociedade impõe padrões de comportamentos para cada gênero e assim acabamos por reprimir a outra energia, que não estaria de acordo com o comportamento exigido pela sociedade.

Por exemplo existe o censo comum de que mulheres são muito emotivas e homens mais racionais, porém o quanto isso é uma realidade biológica ou um comportamento imposto pela nossa cultura? Difícil dizer...O que sabemos hoje, o que Jung observou em seus estudos, é que de qualquer maneira todos os seres humanos tem dentro de si as duas energias, masculina e feminina, porém normalmente uma está mais reprimida, logo mais inconsciente que a outra.

O objetivo de equilibrar esses dois aspectos, que como já disse se complementam e se tornam um, é nos tornarmos mais inteiros, mais completos e mais conscientes de si. Assim diminuímos consideravelmente a busca por algo externo que nos "complete" como vemos nos relacionamentos românticos.

Já somos completos. Já somos inteiros. Não precisamos de nada para tapar nenhum buraco ou preencher faltas. Se a relação se baseia nisso provavelmente se tornará uma relação de dependência ou co-dependência, como são a maioria das relações.


O "casamento alquímico" se trata de uma transformação e integração interna, que muitas vezes pode ser promovida por uma integração externa se estivermos conscientes das nossas relações. Se observamos o que nos incomoda no outro, se observamos o que admiramos no outro, com consciência de que tudo aquilo também faz parte de nós, permitimos que o outro nos mostre o que sozinhos muitas vezes não somos capazes de ver. E se não ficarmos reativos, permitimos que o outro nos ajude a trazer do insciente essas características que acreditávamos que não tinhamos, mas que estão lá em potencial. E aí que se faz a integração, a alquimia.

"O encontro de duas personalidades é como a mistura de dois corpos químicos: se tem lugar a combinação, ambos se transformam” (Carl Gustav Jung) 

Já está na hora de procurarmos ficar mais atentos as relações que o universo coloca em nosso caminho, nada é por acaso, esteja consciente da complementariedade de todas as energias no universo. Uma não existe sem a outra, assim como o caos não existe sem a ordem, assim como a vida e a morte, a dor e a alegria, tudo é complementar e tudo é parte da natureza essencial do universo.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Ciclos, renovação e o mito da Fênix

Fim de ano chegando e trazendo com ele o simbolismo dos ciclos: fechamentos e recomeços sempre são importantes para nos trazer uma energia de renovação. É claro que se trata apenas de um calendário, porém já excluímos tantos rituais do nosso dia a dia que acredito na importância do fim do ano como um ritual de fechamento e recomeço, um momento para avaliar nossos objetivos, sentimentos e realizações.

Se olhamos para esse período através desse olhar simbólico, podemos observar que estamos no momento final do ciclo, momento de olhar pra si, de questionar e avaliar tudo o que passou, todas as nossas emoções, pensamentos e ações deste último período e se perguntar:
"O que eu quero levar para meu próximo ciclo? De que forma eu quero recomeçar?" 



Essa reflexão é muito importante, pois nos ajuda a pensar sobre o que realmente queremos manter e do que precisamos abrir mão. Afinal todo momento novo, todo novo ciclo, traz coisas novas e para podermos estar receptivos para o novo é necessário abrir espaço, jogando fora o que não nos serve mais. É como arrumar o armário, se ficamos muito tempo sem arrumar, apenas acumulando roupas, a bagunça se torna maior, e quando decidirmos organizar será ainda mais difícil. Por isso é importante de tempos em tempos refletirmos sobre essa renovação interna, esse renascimento.

Um mito muito antigo que existe em diversas culturas que aborda esse tema é o famoso mito da Fênix, que morre e renasce das próprias cinzas.

Carl Gustav Jung nos explicou no seu livro “Símbolos de transformação” que o ser humano e a ave Fênix têm muitas coisas em comum. Essa emblemática criatura de fogo capaz de ressurgir majestosamente das cinzas da sua própria destruição também simboliza o poder da resiliência, essa capacidade inigualável de nos transformarmos em seres mais fortes, corajosos e iluminados.

Viktor Frankl, neuropsiquiatra e fundador da logoterapia, sobreviveu à tortura nos campos de concentração. Assim como ele mesmo explicou em muitos dos seus livros, por mais traumática e negativa que seja uma experiência o que acontece a partir dela depende de cada um. Está nas nossas mãos nos levantar de novo, recobrar mais uma vez a vida a partir das nossas cinzas, como a Fênix.

"O homem que se levanta é ainda mais forte do que aquele que não caiu." 
Viktor Frankl

Essa capacidade admirável para nos renovarmos, para retomar o fôlego, a vontade e as forças a partir de nossos "cacos" é uma tarefa primeiro sofrida, ela passa por uma fase realmente obscura que muitos terão vivido na própria pele, o que a alquimia Junguiana chama de "Nigredo" e no caminho dos arcanos do Tarot seria a carta da Morte, pois é realmente uma morte simbólica. Quando passamos por um momento traumático, todos nós “morremos um pouco”, uma parte de nós morre, uma parte que não retornará.


O próximo passo exige de nós o famoso desapego, aceitar que essa parte que "morreu" não irá voltar, pois não nos servia mais, abrir mão dela e deixá-la ir para poder mergulhar inteiramente na renovação. Ao renascermos precisamos nos reconhecer e muitas vezes o novo assusta, não só a nós mesmos como aos outros. Quantas vezes em processos de mudanças ouvimos reclamações de amigos e familiares por estarmos mudando hábitos e padrões...

O que acontece é que o novo é temido, a mudança assusta e muitas vezes lembra ao outro sua própria estagnação. Este é o momento de nos mantermos confiantes em nosso processo e compreender que muitas vezes mudanças internas geram mudanças externas, a energia que está fora precisa se alinhar com a energia que está dentro, e isso pode sim acarretar afastamentos de pessoas e mudanças de ambientes. Novamente, se ficarmos apegados aos padrões antigos, não daremos oportunidade para o novo.



Finalmente renovados estamos prontos para o início de um novo ciclo e precisamos também estar conscientes que novas mudanças virão e não nos enrijecer novamente em nossa nova maneira de ser. A vida é movimento. Como a Fênix podemos morrer e renascer diversas vezes e quanto mais conscientes estivermos, mais nos aproximaremos da nossa essência a cada ciclo.

sábado, 18 de novembro de 2017

O Self e o Vazio

Semana passada eu tive um sonho que me fez sentir uma sensação terrível...uma sensação de absoluto vazio. Vácuo. Me questionei porque essa sensação de vazio interior foi tão terrível. E comecei a pensar sobre padrões que percebo no atendimento clínico e na vida, como todos nós julgamos o "vazio" como algo ruim.

Todos nós temos um abismo interior. Todos temos esse vazio do qual fugimos e tentamos preencher a qualquer custo sempre com coisas externas como experiências, trabalhos, pessoas, emoções...Não deixamos espaço para nada. Construímos uma ideia cristalizada de "ser" exatamente para preencher esse espaço, não nos permitimos deixar espaços vazios, queremos fechar o conceito de "eu sou" hermeticamente, de forma que não entre e nem saia nada e assim nos estagnamos numa forma suficientemente confortável, mas que normalmente não nos deixa satisfeitos.



A insatisfação nos leva a buscar a transformação e aí entra a dificuldade, o tremendo esforço que precisamos fazer ao querer mudar, pois nos fechamos tanto, nos endurecemos tanto em nossas formas de ser, que qualquer mudança exige um trabalho árduo de quebra e de desapego. Alguns desistem, outros se esforçam e conseguem passar por esse processo tão doloroso e difícil, porém após a transformação se cristalizam novamente numa outra forma de ser. Dessa maneira vamos passando de ciclo em ciclo, sem nunca aceitar a fluidez, a maleabilidade do ser, sentimos falta de quem éramos no passado, planejamos quem vamos ser no futuro e fincamos os pés na terra afirmando com toda a força quem somos no presente.

Nos apegamos a diagnósticos, patologias, qualidades, defeitos, julgamentos alheios, julgamentos internos, conceitos sociais e morais...nos apegamos a toda essa ilusão para poder afirmar a frase mais dita em um consultório terapêutico "eu sou assim".

Esse conceito de "eu sou", ou seja, nosso ego,  segundo a psicanálise é formado apenas por estímulos externos, desde que estamos no útero, estímulos externos que absorvemos, somamos e cristalizamos dentro de nós. E o que vem antes disso? Existe um lado de dentro antes disso tudo, não é mesmo?



Para a Teoria Junguiana esse "interior consciente" que precede todos os estímulos externos, seria o que Jung chamou de Self. O Self seria quem realmente somos e não o ego. O ego é apenas uma identidade criada a partir do externo. O Self seria um centro onisciente organizador de toda a psique. Nossa totalidade.
E porque é tão difícil sentir, entrar em contato com esse Self?

O que percebo hoje com a minha experiência clínica e de vida é que temos medo dele. Temos medo de abandonar a nossa ideia cristalizada de identidade, porque ela nos traz segurança, afinal "quem eu sou se eu não for isso aqui que eu sempre fui"? Tememos o desconhecido. E tememos também o vazio potencial que é o Self.

Vazio potencial? Como assim? Vou explicar:

Pense no universo. Para nós o universo é infinito, pois ele é tão grande que não conhecemos o seu fim. O universo é tudo que existe e ao mesmo tempo é um espaço vazio gigantesco, pois entre cada planeta, cada galáxia, cada sistema, existem infinitos quilômetros de distância de vazio, de vácuo, de nada. Hoje já existem teorias da física que afirmam que esses espaços vazios podem conter sim elementos os quais desconhecemos, não somos capazes ainda de medir ou perceber.


Ou seja, pra gente é vazio porque não vemos, desconhecemos o que existe, mas exatamente porque não vemos, não sabemos,  é onde pode conter qualquer coisa. O vazio potencialmente pode conter tudo.

O Arcano "O Louco" do Tarot representa exatamente esse simbolismo do nada que pode ser tudo. O Louco pode ser o primeiro arcano, o arcano 0, ou o último arcano de numero 22. Ele representa exatamente esse vazio potencial, um espaço neutro que está pronto e aberto para viver todas as experiências do caminho. O potencial para ser qualquer coisa. O potencial para ser tudo. Que de fato ele também é, ele fecha em si mesmo todo o caminho como arcano 22.


 Quando sentimos o vazio dentro de nós é exatamente o momento da potencialidade de Ser. O momento em que estamos prontos para aceitar, receber algo novo e abertos para viver as experiências como elas realmente são. Se fugimos dessa sensação, se entendemos o vazio como algo negativo, continuaremos a procurar preencher o máximo possível e não deixaremos nenhum espacinho para a mobilidade do ser. "Entulhamos" nosso quarto interno e a bagunça se instala.

É preciso abrir espaço, é preciso jogar fora o que já não serve mais, desapegar.
É preciso estar aberto também para o "não ser", porque afinal precisamos sempre nos definir?
Porque não estar aberto e livre para a fluidez da vida?

Existem diversos mitos e contos que falam sobre esse processo, na minha opinião um dos mais fortes é o mito de "Eros e Psique". Depois que Psique percebe que vivia num mundo de ilusões, ela precisa passar por algumas tarefas antes de reencontrar Eros, e sua última tarefa é ir para o reino de Hades (que representa o inconsciente e a morte simbólica). Porém ela é humana e os humanos não voltam de lá. Mesmo sabendo disso ela precisa ir, ela precisa abrir mão de tudo e se jogar no abismo sem saber se vai voltar. E é assim que ela se transforma, amadurece e renasce como uma semi deusa.


O abismo é o nosso próprio Self. Precisamos nos jogar nesse desconhecido vazio potencial, sem saber quem vamos ser ou como vamos ser depois disso, apenas confiando que já somos. Simples assim. Confiar em nós mesmos, confiar em nosso processo interno. Nós não passamos por processos, nós somos os processos. Desapegue da ideia fixa de ser de determinada forma, e você estará livre para simplesmente Ser.



terça-feira, 17 de outubro de 2017

O desafio da Aceitação

Atualmente com a popularização de alguns conceitos budistas e de outras filosofias orientais, você provavelmente já ouviu falar em aceitação. Mas será que compreendemos de fato esse conceito? E será que estamos prontos para colocá-lo em prática?

Aceitação é algo que realmente pode transformar a sua vida e o seu Ser.


Porém a nossa cultura ocidental não valoriza esse ato, muito pelo contrário, o desvaloriza porque não compreende e incentiva o seu oposto: Idealizações e Expectativas.

Na era da "ansiedadeXdepressão" não há nada mais importante para olharmos, pensarmos e analisarmos dentro de nós mesmos. Afinal, ansiedade é nada mais do que a mente presa no futuro, isto é, gerando e alimentando expectativas; Enquanto a depressão é a mente presa no passado, isto é, apegada a idealizações que não se concretizaram e geraram frustrações as quais não sabemos lidar.

Nossa mente está o tempo todo oscilando entre esses dois polos, passado e futuro, dois momentos imaginários que de fato, não existem, nunca existiram e nunca irão existir. Sim nós temos memórias, lembranças e planejamentos, mas tudo isso está apenas em nossa mente. O momento presente é tudo o que existe. Aprender a viver o momento presente da forma como ele se apresenta é se libertar desse looping de expectativas ansiosas e idealizações frustradas, é sair da gangorra emocional em que tantos de nós vivemos oscilando entre a ansiedade e a depressão.



A aceitação é a chave dessa transformação.

Você aceita quem você é? Você aceita quem os outros são? Seu parceiro ou parceira? Seus pais e familiares? Ou você idealizou em sua mente pessoas que não existem e passa a vida se lamentando por sua família, parceiros, etc. não serem da forma que você idealizou?
Você aceita as circunstâncias conforme surgem em sua vida? Ou idealizou também situações e passa a vida se lamentando que elas não correspondem às suas expectativas?

Quando que você começará a viver de fato a sua vida, com todas as maravilhas e terrores, ao invés de ficar esperando uma situação inexistente, fantasiada, criada por suas expectativas e idealizações? Quando que você começará a viver de verdade? Ser você mesmo de verdade? E não mais uma máscara criada para atender as expectativas e idealizações do outro?


A nossa sociedade impõe modelos. Jung abordou amplamente o conceito de Arquétipos, que são padrões que trazemos de forma inerente em nosso inconsciente. Se estivermos conscientes desses padrões eles podem nos ajudar a compreender a nós mesmos e aos outros, mas se eles estiverem inconscientes, podem se transformar em complexos afetivos que não sabemos como controlar. 

O Arquétipo da mãe por exemplo, carrega consigo todo um peso de uma idealização de toda a história da humanidade, em torno dessa figura que deveria ser sempre amável, compassiva, pura e acolhedora. Porém a mãe humana é apenas uma mulher, como qualquer outra, com seus defeitos e qualidades. E isso vale para tantos outros "papéis arquetípicos", como pai, filho, esposa, marido, companheiros...O quanto nós carregamos de forma inconsciente essa idealização, impossível de ser correspondida? O quanto cobramos isso, de nós mesmos e do outro? E o quanto essa cobrança, interna e externa, nos faz cair nesse redemoinho de idealizações e frustrações, destruindo auto estima e relações...


A saída desse furacão é simples, porém exige algo com o qual não estamos acostumados a lidar: Desapego. Desapegar de conceitos, de "achismos", de certezas, de imagens...Desapegar do olhar do outro e, mais do que isso, desapegar da sua própria forma de olhar. 

Olhar pro mundo e para o outro como se fosse a primeira vez: De forma aberta e livre
Livre de conceitos, de suposições, de julgamentos, de idealizações...Livre do "deveria ser assim" ou "mas se fosse daquele jeito"...Nada disso existe. Existe apenas o que é. E a partir do momento que você aceita o que é, da forma que é,  seu mundo se transforma.

Aceitar não é passividade. Aceitar é primeiro passo para transformar tudo o que você deseja transformar. Aceitar o outro é Amar o outro. Aceitar a si mesmo é Amar a si mesmo. Quando você se ama da forma que você é, você compreende que todas as pessoas e circunstâncias da sua vida contribuíram para formar esse Ser maravilhoso que você é hoje e por isso você é imensamente grato. E quando você aceita também os seus "defeitos" (a sua Sombra), você pode olhar pra ela, e transformá-la.



Esse é o maior ato de entrega possível. É abrir mão da (falsa) sensação de controle e realmente abraçar a vida. A sua vida. Ela é apenas sua, com todas as maravilhas e terrores. Única. Assim como você. 
Aceite. 
E só depois de aceitar, ame o que for de amar, e transforme o que for de transformar. 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Equinócio de Primavera - O momento de Florescer

Equinócio é o momento exato que marca o início da primavera ou do outono, assim como o solstício é o momento que marca o início do inverno ou do verão. Nossos ancestrais tinham rituais específicos para comemorar cada um desses momentos, pois percebiam a importância da mudança das estações e a conexão entre o planeta Terra, o Universo e todos nós, seres que o habitam.

Atualmente os seres humanos, principalmente no ocidente, se distanciaram totalmente de suas raízes, ignorando o fato de que fazemos parte de um corpo maior, e tudo que ocorre nesse corpo nos influencia diretamente.

"Floresça de dentro"

Abandonamos também os rituais, que são de extrema importância simbólica para a nossa psique. Os rituais trazem elementos que acessam diretamente o nosso inconsciente, pois trazem símbolos carregados de significados milenares, e o nosso inconsciente por se comunicar de maneira simbólica, é extremamente afetado pelos ritos, fazendo com que se processem movimentos em nossa psique, sem precisarmos de um esforço consciente para promovê-los.

Faço então um convite, para retomarmos essa prática tão importante, nesse momento do equinócio de primavera, que é exatamente o momento de florescer!

Nessa sexta, dia 22, é o Equinócio de Primavera, o sol estará cruzando o equador celeste fazendo com que o dia e a noite tenham a mesma duração. A Primavera é o começo de um novo ciclo, que representa o "nascimento". É o período de regar nossos jardins e plantar sementes para o nosso processo de renascimento. Durante o equinócio de Primavera - quando a força do dia e da noite tornam-se iguais - devemos nos integrar conscientemente à "Mãe Terra" que todo ano renova seu ciclo de nascimento e ressurreição, muito favorável a novos inícios.


Na primavera, a primeira manifestação de energia vital é o nascer e brotar da vegetação. Trata-se de um momento de prosperidade e crescimento. De acordo com antigas tribos indígenas, a primavera é a estação do despertar. É quando enxergamos através da ilusão, ou quando descobrimos novas informações, trazendo clareza para o caos ou confusão.

Desse modo, recomeçamos rompendo velhos padrões, renovamos nossa intenção, propósitos e nos preparamos para um novo ciclo, que traz o equilíbrio entre o masculino e o feminino em nossas energias.



Nesta estação, saímos da introspecção do inverno e passamos a florescer e a despertar em nossas vidas. É a chegada da energia que nos faz abrir novas fontes de criatividade, nos tornar mais otimistas, observadores e determinados.

Sugestão de ritual:
Em uma superfície coloque à leste (lugar onde nasce o sol) um vaso com flores. Ao norte (área de maior luminosidade no hemisfério sul) ponha uma vela. Ao oeste (poente) deposite um punhado de terra ou folhas secas retiradas do chão e ao sul, ponha um cálice com água. Quando o seu altar estiver pronto, volte-se para o leste e pronuncie a seguinte Invocação:

“Agradeço à Vida por tudo o que Ela me proporciona e peço que meus objetivos ....(fale ou pense seus desejos), estando eles alinhados com o Propósito do meu Ser, possam dar frutos no tempo certo. Que eu saiba reconhecer a minha verdadeira natureza e permitir que ela floresça."

Faça esse ritual todos os dias na mesma hora, por 7 dias, ou pelo tempo que seu coração pedir.
Vamos resgatar dentro de nós o poder de se conectar com o movimento natural do universo.



Fonte: www.personare.com.br e terraderuda.org,br