terça-feira, 28 de abril de 2020

O Valor da negativa e a Interrupção como libertação

"A atividade pura nada mais faz do que prolongar o que já existe. Só por meio da negatividade, do parar interiormente, o sujeito da ação pode dimensionar todo o espaço da contingência que escapa a uma mera atividade." (Byung-Chul Han, Sociedade do Cansaço) 

Estamos vivendo hoje uma oportunidade única de transformação em muitos níveis, internos, externos, individuais, sociais...E digo única de fato, pois é uma oportunidade nunca antes vista em nossa sociedade, pois a forma que tudo está ocorrendo carrega uma fórmula poderosa que ao meu ver não aconteceria de nenhuma outra maneira: a desvalorização do sim e a possibilidade do não. 


No livro "Sociedade do Cansaço" de Byung-Chul Han o autor nos apresenta a reflexão sobre vivermos em um momento onde a possibilidade da negativa nos é limitada e desvalorizada. Estamos escravos de uma positividade excessiva onde o valor está no "mais"; produzir mais, para ter mais, fazer mais e não parar nunca. A valorização do fazer e da quantidade de informação (ao invés da qualidade da informação) nos tornou dispersos como zumbis e escravos de nós mesmos. Mesmo que não haja ninguém nos obrigando a agir, entendemos que o valor está apenas na ação e continuamos nos obrigando à uma aceleração constante. Quando não profissional, pessoal, porque até as folgas que deveriam ser descansos, são pautadas em verbos ativos como "ver" um filme ou " ir" à algum lugar; a nossa auto imagem ficou condicionada ao fazer e dizer não à ação é quase tão mal visto quanto um crime. A pausa é proibida. 

Todo esse esquema produz uma falsa sensação de liberdade, pois acreditamos que estamos fazendo o que queremos. Queremos exceder todos os nossos limites físicos e emocionais porque "eu quero terminar a tese", "eu quero ser bem sucedida" ou "eu quero ter a melhor foto no instagram"; e não percebemos que essas não são escolhas, mas apenas reações à um sistema que exibe aceleração como sucesso e pausa como fracasso. O autor ressalta em uma passagem do livro:  "A hiperatividade é paradoxalmente uma forma extremamente passiva de fazer, que não admite mais nenhuma ação livre." Acreditamos estar ativos, porém estamos totalmente passivos diante de um sistema que domina como qualquer outro dominador: através dos nossos medos e inseguranças, através da nossa idéia de valor próprio. 


As maiores doenças dessa sociedade, a ansiedade e a depressão, só reforçam essa perspectiva. O ansioso é aquele que não consegue permitir a pausa nem na sua mente, se estiver se sentindo produtivo continua mentalmente compulsivamente produzindo em seus pensamentos; e se não estiver pior ainda, pois a compulsão soma com a culpa e a mente se agita cada vez mais. O deprimido é o que tenta dizer "não" ao "sim compulsório" desse sistema. É como se ele dissesse "eu tenho o direito de não fazer nada", mas a pressão por desempenho, externa e interna, não permite que esse processo seja tranquilo; dor e culpa o acompanham e a impossibilidade de "voltar à ativa" somada a impossibilidade, ditada por ele mesmo e pelos outros, de permanecer em pausa, só gera mais conflito, mais angústia. Como o autor fala no livro é uma doença de uma sociedade que está "em guerra consigo mesma"

Nossa potência de negar nos foi tirada. Se não temos a possibilidade da negativa como algo de valor, não temos escolhas reais. Não temos alteridade em uma sociedade que só valoriza a positividade e o sim como resposta. As últimas gerações não podem dizer não nem ao excesso e muito pelo contrário, precisam acumular tudo: experiências, coisas, pessoas...Quantas vezes eu já ouvi na clínica "parei porque fiquei doente" e até mesmo "precisei ficar doente pra poder parar." Quantos de nós já forçamos nossos limites físicos e psicológicos à ponto de adoecer em nome da produtividade, da atividade ou até mesmo do prazer?

E agora estamos doentes. Estamos todos doentes! A Terra está doente, o mundo está doente! Somos obrigados à dizer não às saídas, aos encontros, às viagens, à aceleração constante. Alguns ainda resistem à mudança querendo manter a produtividade excessiva via "Lives" no "Online"; porém não há mais como fugir da verdade: houve uma interrupção no curso "normal" das coisas. É um novo momento. Podemos parar? Devemos parar! Por quanto tempo? Só você pode saber o quanto de tempo é necessário.

A interrupção é uma possibilidade única de libertação, talvez a única possibilidade. Se a nossa mente não pode parar ela não contempla, não aprofunda, é só um pensamento atrás do outro, superficiais. Se nós não pudermos parar não há espaço para aprofundamento, não há espaço para o espírito, cada vez mais seremos semelhantes as máquinas e menos semelhantes à nós mesmos. A nossa natureza reside na profundidade do ser e apenas a meditação e a contemplação profunda pode nos permitir ouvi-la. É na pausa, no silêncio, que nos encontramos. 

Mas precisamos trabalhar, ganhar dinheiro, viver em sociedade...talvez sim. Mas será que esse momento não pode nos trazer novas possibilidades? Não seria um "ponto final" em uma frase, que nos permite respirar fundo e refletir antes de começar o próximo parágrafo? Talvez ele nos permita reescrever o próximo parágrafo e transformar o curso da história. 
Como você quer escrever o seu próximo parágrafo? 


Não responda agora! 
Pare. Respire. Medite sobre isso. 
Reação não é ação verdadeira.
Dê tempo para a resposta vir de dentro.
As ações verdadeiras não respondem à nada. 
Elas vêm de dentro.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Coringa: A sombra de todos nós


Gostaria de começar esse post dizendo que esse filme é extremamente forte e possuí diversos pontos que podem ser gatilhos para algumas pessoas. Sim precisamos falar sobre tudo isso, mas precisamos também falar com cuidado. Por esse e outros motivos eu não pretendo escrever sobre a questão psicológica do personagem e nem sobre a questão social, tão clara no filme. O que eu escrevo aqui é uma reflexão pessoal sob um olhar junguiano para você que está lendo esse blog, e também para mim mesma. Porque afinal todos nós temos sombras...
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"Eu não sou o que aconteceu comigo, eu sou o que eu escolho me tornar." (C.G Jung)

Com essa frase Jung procurava alertar à todos nós o perigo de se identificar totalmente com a sua história, com as circunstâncias de sua vida, suas dores e sofrimentos. Jung sabia que somos mais do que isso, somos mais do que  o que nos aconteceu, somos mais do que o que fizeram com a gente, e por sermos mais do que isso, temos escolha.

O filme do Coringa me fez pensar sobre a importância do processo de individuação por uma perspectiva mais profunda do que nunca, pois para ter essa escolha é preciso antes ter a consciência de que você não é apenas o seu ego, isto é, você não é apenas um produto do meio e das circunstâncias. Em resumo se você não tem consciência do Self, se você não vivencia um sentido maior do que as circunstâncias da sua vida e das suas dores, você vira um escravo da tensão entre os opostos ego versus sombra. Quanto mais o seu ego se sentir impotente, oprimido, invisível; mais a sua sombra, antes reprimida, toma conta da sua psique, dominando todo o seu ser.



Isso acontece com todos  nós. Não é à toa que uma parte de todos nós, apesar das cenas fortes de violência, continuava "torcendo" pelo Coringa. Todos nós somos oprimidos todos os dias pelo sistema em que vivemos. Uns mais, outros menos, cada um da sua maneira porque dor não se mede. Todos nós já nos sentimos humilhados, invisíveis, agredidos, abusados de alguma forma. E o mais grave é que a maioria de nós procura ignorar tudo isso o tanto quanto pode, e o nosso sistema também, calando todas as bocas seja com excessos de consumos, drogas ou medicações... O que importa é você ser funcional e voltar pra "caixinha". Sorria e responda "sim, está tudo ótimo!"

Quanta tristeza e dor está escondida por de trás das máscaras de sorrisos que todos nós vestimos todos os dias? Quanta raiva? Quantas frustrações? Quanta culpa?
Um sistema devorador e uma sociedade do espetáculo, onde todos tem que parecer "bonitos  e felizes" na foto do instagram. Não cabe tristeza no olhar. Não cabe falar de sofrimento no grupo de amigos. Não cabe gritar no trabalho que não aguenta mais a pressão. Não cabe ter raiva dos pais. Não cabe sentir dor... É tanta coisa em baixo dessa máscara que mais cedo ou mais tarde ela não aguenta, ela pesa, e cai.


Quando a sombra rompe a consciência de forma descontrolada a balança se inverte, pois o ego humilhado deseja o poder, deseja se sentir potente para compensar tanta sensação de impotência. E assim humilhamos, abusamos, julgamos, agredimos. Claro que pode não ser na mesma proporção que Arthur, o personagem do filme, mas que jogue a primeira pedra quem nunca fez isso de alguma forma. Porém isso ainda não é gritar a sua dor. Isso apenas gera mais dor, pra si e pro outro. Se o ego não estiver totalmente cindido, depois vem a culpa. E com ela mais dor não sentida. Mais grito não gritado.
É assim que vivemos.
Por isso o filme é tão pesado, porque ele é real.

A solução não é a violência.
A solução não é sorrir pra foto.
A solução também não é ir pro alto do monte meditar.
A solução está na escolha.
Mas para escolher é preciso ter consciência de quem somos.
Nós não somos apenas o que nos aconteceu.
Não somos a nossa historia de vida.
Não somos as nossas emoções nem os nossos pensamentos.
Então o que somos? Quem é você?

"Conhece a ti mesmo" algo dito há tanto tempo e que todos passam a vida evitando e fugindo até hoje. Se você se identifica com a sua dor você se torna a dor. Você precisa se lembrar que é mais do que isso. Autoconhecimento: essa é a única solução.

A identificação com a dor e o sofrimento é extremamente perigosa e ela te reduz a um estado de escravo de um ego ferido, onde você mesmo não tem escolha. Você apenas reage as situações, ou melhor, a sua dor reage as situações e não você de verdade.
A chave está em não negar nada e se você se identifica apenas com a sua dor, você nega uma grande parte de si mesmo, porque eu tenho certeza que por pior que seja a sua vida ela não pode ter sido feita unicamente de dor. Então se você se identifica só com isso você está também negando a sua totalidade.


Somos vida. E como toda a vida somos múltiplos e sempre em movimento e se somos múltiplos e nos transformamos, temos múltiplas escolhas. Quando nos identificamos com nossas emoções, nossos pensamentos, eles nos dominam e nos tornamos escravos deles.

Precisamos parar de fragmentar a vida em caixinhas de certo e errado bom ou ruim. Emoção é emoção, é energia. E deve ser sentida, olhada, compreendida, porque se for reprimida, ela explode. Precisamos fluir mais, sair da tensão entre os opostos. Julgar menos. Ouvir e ser ouvido. Acolher o outro e o mais difícil: acolher a si mesmo.

Como tantos, Arthur acreditou ter deixado de ser oprimido por um sistema para ser oprimido pela sua própria sombra. Ele não tinha escolha, porque ele não tinha consciência. Era apenas a sua dor reagindo. A consciência é chave. Inteligência emocional deveria ser algo discutido em todas as escolas. Precisamos aprender a sentir, conviver e lidar com as nossas emoções, sejam elas confortáveis ou não.

Precisamos buscar mais consciência sobre esse universo infinito que somos nós. Sem julgamentos, sem culpa, "sem caixinhas". Somos vida e toda vida é feita de maravilhas e horrores. Quando será que vamos parar de negar isso?

Todos nós, assim como Arthur, somos capazes de amar e de matar, todo ser humano é. Não adianta projetar os aspectos destrutivos de nós mesmos em figuras externas como o demônio ou "espíritos ruins", ou simplesmente culpar os nossos pais ou a política... afinal fazemos isso há tantos e tantos anos e só serviu para nos tornarmos mais inconscientes de quem somos. O potencial de vida e de morte mora dentro de cada um de nós. Estamos matando as florestas, os animais, o planeta, todos os dias. Estamos matando vida por desejos do ego. No fundo, no fundo, não é a mesma coisa?
E você? Onde você está destruindo a sua energia vital por desejos do seu ego?




Somos luz e sombra. Talvez ao parar de negar sempre um dos lados, saindo dessa oscilação entre opostos, poderemos nos tornar inteiros e fazer algo útil com tanta energia em potencial!

Essa é a escolha que temos todos os dias: Nos reduzir à um produto do meio, à um resultado dos acontecimentos, identificado com suas emoções e escravo delas. Ou nos reconhecer como vida, pulsante e fluída, e direcionar o curso dessa energia de forma consciente para onde for de nossa vontade.

Na minha opinião esse filme nos lembra da necessidade de sentirmos nossas dores, e de muitas vezes gritarmos nossas dores sim! De não sorrir nos dias em que estivermos tristes. De amar nossas tristezas assim como nossas alegrias porque ambas formam quem somos. De olhar profundamente para a nossas sombras e abraçá-las, para que não aconteça delas um dia nos dominarem e nos levarem a atos destrutivos para nós mesmos ou para outros. De usar a raiva como motor de revolução.
E em um sistema que se sustenta às custas de nossos medos e inseguranças, criar mais medo e insegurança através da violência, consigo mesmo e com o outro, é apenas reforçar o mesmo sistema.
Amar ao outro e a si mesmo nunca foi tão revolucionário!
Arthur não tinha consciência de nada disso. Mas você tem.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Equilíbrio: como lidar com a tensão dos opostos?

Você já parou pra pensar o quanto a nossa mente está acostumada a polarizar as coisas? Fomos criados em cima de conceitos maniqueístas como bom e mal, certo ou errado, bonito ou feio, milagre ou pecado, altruísmo ou egoísmo, (eu podia continuar essa lista infinitamente) e esquecemos que entre esses pólos existe um espectro gigantesco que condiz, na verdade, muito mais com a realidade das coisas como elas são.


Uma pessoa nunca é totalmente boa nem totalmente má. Isso simplesmente não existe. Até Hittler amava alguém. Até Jesus e Buda magoaram alguém. Uma situação ou ação não pode ser totalmente certa ou errada, isso é impossível na realidade porque o certo ou errado estão atrelados ao olhar de alguém e esse olhar depende do contexto em que esse alguem está inserido.

Com certeza aqui no ocidente seria muito errado um homem obrigar uma mulher a sair na rua com seu cabelo coberto por um pano, porém no contexto muçulmano o uso da burca é considerado correto pois faz parte da religião e da cultura desse povo. Há alguns nem tantos anos atrás meninas casavam com 15 anos, e isso era o certo, hoje isso seria considerado um absurdo. Nos países onde houveram guerras jovens meninos eram obrigados a abandonar suas vidas e seus estudos para ir para um campo de batalha matar uns aos outros...isso é certo? Para alguns pontos de vista sim.

Não vou aprofundar aqui nessas questões apenas quero trazer a reflexão de que o certo e o errado, o bem e o mal, mudam dependendo do contexto. O que é certo pra você? O que te faz bem? O que te faz mal? Isso é que é importante ser mantido e defendido, independente do contexto social. Porém as pessoas parecem esquecer disso procurando regras e respostas do lado de fora, na vida do outro, nas opiniões do outro, nas religiões e dogmas...e você? O que você realmente pensa ou sente? Qual é o medo de assumirmos a nossa verdade? A responsabilidade de escolher de acordo com a nossa própria moral, e não a de fora, nos assuta. E alguns vivem tão submersos em regras e padrões externos que não sabem nem mesmo o que realmente pensam ou acreditam.

"Somos nossas escolhas"

Além disso conforme falamos antes, existem milhões de pontinhos entre um pólo e outro e estar polarizado atrapalha e muito as nossas vidas, tenho percebido que a polarização é algo mais comum do que se imagina, e muito adoecedor. Vejo casos de pessoas que sempre foram passivas em suas vidas, se sentindo invadidas pelo outro e sem conseguir colocar limites. De repente essa mesma pessoa começa a ser reativa, brigar e "repelir" todos a sua volta. Pessoas que eram muito frias em suas relações e ao se abrir para as emoções se entregam para uma paixão avassaladora. Pessoas que são muito religiosas e se decepcionam de alguma forma com sua religião e se desconectam totalmente do seu lado espiritual, do sentido de transcendente.

Pegando um exemplo social, vivemos em uma sociedade patriarcal que sempre reprimiu a energia feminina primordial, e agora vemos o ínicio de um resgate maravilhoso do sagrado feminino, porém muitos diante desse resgate começam a "demonizar" o mascuino primordial como se ele também não fosse uma energia sagrada e tão importante quanto a energia feminina. Até porque nenhum ser no universo existe sem as duas energias dentro de si. Em resumo estamos sempre oscilando de um pólo para o outro, tentando muitas vezes compensar "o tempo perdido" de quando estávamos no outro oposto, e isso está longe de ser saudável em qualquer que seja o aspecto. Desequilíbrio é sempre adoecedor. 


Existe um enorme espaço entre repelir e aceitar tudo: Você pode colocar os seus limites para outro de forma clara e continuar dando e recebendo afeto.
Existe um enorme espaço entre "vestir uma armadura" e "ser uma esponja": Você pode manter a sua individualidade dentro de um relacionamento sem ser egoísta. Você pode trocar experiências com o outro sem precisar se tornar o outro.
Existe um enorme espaço entre a descrença e a fé cega: Você pode ter fé sem ficar paralisado esperando que um deus realize seus sonhos e culpando ele por não realizar. Você pode saber que você é o responsável pela sua vida e pelas suas escolhas, mas acreditar que o universo é vivo, que a natureza é viva e existe um fluxo de sabedoria divina maior do que nos que nos auxilia em nossos processos.

Porque estamos tão desequilibrados oscilando nessa tensão entre pontos distantes ao invés de olhar para todo o caminho que existe entre eles? Porque buscamos tanto do lado de fora as respostas que só nós mesmos podemos nos dar? Crescemos assim nos distanciando de nós mesmos e sendo bombardeados por essas regras maniqueísta e esquecemos que dentro de nós é onde mora o equilíbrio. Um equilíbrio que é seu e diferente de todos os outros. Não tem regra, não tem padrão.




O equilíbrio não é um ponto exato no meio do caminho entre essas coisas que falamos, mas sim uma forma fluída de viver se relacionando de forma consciente com as polaridades que existem em nós. Esse "ponto de equilíbrio" oscila e essa fluidez é própria de cada um, única, e não é olhando pro outro ou procurando uma regrinha que você vai descobrir, é olhando pra dentro de si. É compreendendo como o seu ser fluí. O que é natural pra você? Segundo Jung nós nos esforçamos demais para adoecer e nos desequilibrar, porque o nosso corpo, a nossa psique, tende ao nosso ponto natural de equilibrio. Se pararmos pra pensar nisso, veremos que passamos a vida nos esforçando para corresponder a padrões e exigências que estão do lado de fora...pare de se esforçar, olhe pra dentro de você através de uma meditação, de uma terapia, ou simplesmente de momentos de pausa, silêncio e respiração consciente. Sinta: quem é você de verdade? Qual o seu ritmo natural interno? Como você deseja fluir no mundo?

terça-feira, 28 de maio de 2019

A Sombra do Amor

"Onde há desejo de poder não há amor.
E onde há amor não há desejo de poder.
Um é a sombra do outro." (Carl Gustav Jung)


Uma das grandes verdades escritas por Jung me faz refletir profundamente sobre os relacionamentos humanos. O poder é Yang. O amor é Yin. Quando falo sobre Yin e Yang me refiro as energias primordias que existem dentro de nós e em tudo que há no universo, segundo a tradição chinesa. Yang é o masculino arquetípico primordial e Yin o feminino arquetípico primordial. As duas energias juntas e em movimento formam tudo que existe.

A questão é: O desejo de poder vem da energia masculina primordial e numa sociedade totalmente patriarcal que exalta o masculino dentro de todos os seres, como podemos não ter desejo de poder? E se todos temos, onde está o amor?

Nesse momento difícil da historia do Brasil, falamos do poder como algo sombrio, mas talvez quem esteja na sombra seja na verdade o amor, pois o desejo de poder está bem consciente, atropelando tudo e todos. Será que somos capazes de amar mesmo aqueles que são diferentes de nós? Será que ao menos sabemos o que é amor?


Com o amor na sombra podemos facilmente esquecer como é senti-lo, o que ele de fato significa, e começar a confundi-lo com posse, com paixão e obsessão. Com o amor na sombra podemos esquecer de doar, ou às vezes para aqueles que o doar é natural começam a receber tão pouco em troca que a balança quebra e se esgotam. A sensação de injustiça toma conta e a raiva prevalesce.
Com o amor na sombra até mesmo aqueles seres que nasceram pra amar e doar se esgotam, sua luz se apaga e eles se endurecem.

Com o amor na sombra confundimos entrega com "ser trouxa", limites com "joguinhos de poder", diálogo com competição e justiça com ódio. Não está claro ainda que dessa forma não chegaremos a lugar nenhum? Apenas nos afundaremos mais no que há de mais negro e denso na alma humana...

Jung também disse: " Quanto maior a luz maior a sombra" E não há no universo ser mais iluminado e mais sombrio do que o homem. Somos nossos próprios anjos e nossos próprios demônios. Cabe a nós escolher como equilibrar essa balança. Enquanto a nossa ânsia for pelo poder sobre o outro, seja quem for você, seja quem for esse outro, nada vai mudar.


Não se resolve a sua submissão submentendo o outro. Se resolve a sua submissão com amor. Como assim? Se amando o suficiente para nunca mais se submeter. Amando o outro o suficiente para ajudá-lo a se transformar, caso ele peça e deseje, ou para colocar um limite claro e tirá-lo da sua vida porque não podemos ajudar quem não quer ser ajudado.
Colocar limites é também um ato de amor, com você mesmo e com o outro. Manter ambos presos em uma relação destrutiva, seja pelo motivo que for, é jogo de poder.

Socialmente estamos todos presos em relações destrutivas, tentando provar uns para os outros quem está certo ou errado, tentando correr mais rápido pra ver quem vai "sentar no trono" e ditar as regras dessa vez.

E enquanto não tirarmos o amor da sombra continuaremos exatamente assim, oscilando entre o conflito de opostos, de um pólo ao outro, sempre unilaterais e nunca compreendendo a complementariedade entre eles...Não importa qual o pólo que estará "ganhando" no próximo século, o que importa é que nunca seremos inteiros.
Precisamos tirar o amor da sombra...
Começa de dentro de você.


quarta-feira, 24 de abril de 2019

O poder da mente e seus "filtros"


Hoje muito se fala sobre o poder da nossa mente e dos nossos pensamentos, já estamos cansados de ouvir dizer sobre como que os pensamentos podem atrair e criar situações em nossas vidas e existem diversas teorias do porquê  isso é real, desde teorias mais místicas como "a lei da atração", até algumas teorias da psicologia comportamental, e por fim estudos recentes da físicia quântica e neurociência que provam que realmente nossa mente direciona toda a nossa vida. Sabemos disso tudo, mas fica a questão: Como controlar nossos pensamentos? Porque às vezes é tão difícil controlar a nossa mente, pra onde ela "vai" ou "deixa de ir"? Porque tantas vezes nos sentimos escravos, praticamente presos, nesse redemoinho de imagens e falações incessantes? Afinal como estar no controle desse ser que às vezes parece outro ser, totalmente diferente de nós?


 Primeiro é importante compreendermos na teoria como esse processo realmente funciona. Eu não concordo totalmente com essa ideia mágica de lei de atração, por isso trago um embasamento por um olhar mais prático. Faça agora um exercício: Olhe por um momento à sua volta onde você estiver, repare tudo que está à sua volta, televisão, sofá, você provavelmente está sentado em uma cadeira, usando um computador, ou está lendo isso no seu celular na rua; se estiver na rua à sua volta tem carros, prédios, o chão que você pisa...tudo, absolutamente tudo isso foi criado por nós, seres humanos. Principalmente em uma cidade, praticamente nada é totalmente natural, casas, chão, carros, prédios, tudo foi criado por nós. E essa criação só aconteceu porque alguém algum dia teve uma idéia, planejou, procurou matéria prima e uma forma de colocar essa ideia na realidade e finalmente, criou. E o que é uma ideia, afinal? Um pensamento. O que é planejar? Pensar. Então como duvidamos que o pensamento cria a nossa realidade? Ele já criou! Tudo que existe à nossa volta foi criado por pensamentos. E ele está criando mais milhões de coisas o tempo todo. Desde de um artefato médico maravilhoso que salva vidas, até uma bomba atômica que pode destruir toda a humanidade. Esse é o poder criativo e destrutivo do nosso pensamento, da nossa mente, de nós mesmos.


 Trazendo para o nosso dia a dia é claro que isso se torna mais subjetivo e em menor escala, porém no fundo é a mesma coisa. Podemos criar o dia mais incrível das nossas vidas, ou o dia mais terrível de todos, e na maioria das vezes isso independe do mundo "externo". E esse é outro ponto importante: Afinal o que é o mundo externo? Segunda a física quântica atual, tudo que existe são informações, sinapses, troca de energia, e o nosso cérebro traduz todas essas informações para formar o que chamamos de realidade. Captamos a luz através dos nossos olhos, enviamos a informação para o nosso cérebro e ele codifica. Tudo que vemos e experimentamos são interpretações da nossa mente. Me parece óbvio que a forma que interpretamos vai depender, e muito, da forma como nos sentimos, e a forma como nos sentimos depende, e muito, da forma como pensamos. E por fim as nossas ações são sempre resultados de pensamentos, sentimentos e experiências, logo está tudo conectado nesse ciclo.

Por exemplo se eu tive um noite ruim, não dormi bem, tive pesadelos, acordo mal humorada, e já inicio meu dia com pensamentos ruins, que geram sentimentos desagradáveis, e assim eu começo a interpretar as experiências daquele dia a partir desse filtro. Provavelmente as mesmas experiências de outros dias terão um peso muito maior passando por esse filtro onde tudo está me parecendo difícil ou desagradável. E a partir daí minhas ações estarão resultando de todo esse cenário desagradável e pesado que estou vivendo neste dia. Tem gente que vive assim todos os dias! E é aí onde entram os hábitos. A pessoa se enfia tão profundamente nesse filtro, que não consegue mais ver além dele, vê somente através dele, e assim começa a pensar sempre dessa mesma forma, sentir dessa forma e consequentemente agir dessa forma. Toda a sua vida é vivida e criada através do filtro do "desagradável", "difícil" , "sofrido" e por aí vai...Como qualquer hábito, quanto mais alimentamos, mais ele se fortalece. O filtro vai se tornando cada vez mais espesso, denso, e a realidade daquela pessoa passa a ser indiscutivelmente daquela maneira.  


Com certeza esse será um mundo totalmente diferente do mundo  de uma outra pessoa que desde pequena aprendeu a ver a vida através do filtro "está tudo bem", "tudo é maravilhoso", "tudo vai dar certo". Mas será que esse filtro também não é nocivo? Muitas vezes sim, pois enquanto a outra pessoa está imersa no sofrimento e provavelmente se vitimizando, essa pessoa pode estar fugindo das dores e provavelmente idealizando e se iludindo. E o fato é que nenhum dos filtros condiz com a realidade. A realidade é feita de dores e alegrias, onde o que precisamos é aprender a lidar com ambas.

Então voltando aos pensamentos, sim eles criam o nosso mundo, a nossa vida, as nossas experiências, e o primeiro passo para aprender a direcioná-los é estar consciente deles. Todo esse processo que falei acima acontece muitas vezes de forma insconsciente, a maioria das pessoas nem percebe o filtro que está usando e como esse ciclo todo acontece. Então o primeiro questionamento é: Eu estou usando um filtro para ver e experimentar a vida? Qual o filtro que estou usando? Eu estou vendo as coisas como elas realmente são?

A meditação é uma ferramenta incrível (e na minha opinião o melhor caminho) para aprendermos a observar e parar de nos identificar com nossos pensamentos. Através da meditação compreendemos de forma prática, sentimos mesmo, que não somos nossos pensamentos. Existe um observador, existe uma consciência além deles, logo podemos sim direcioná-los. Com essa prática de distanciamento e observação constante, você começa a discernir o que é cada pensamento e quais são os mais freqüentes e constantes e aí é onde entra a parte terapêutica: Porque esse pensamento é constante? Ele tem uma origem? Ele me alimenta de alguma forma? Ou ele é uma crença, algo que eu ouvi minha vida toda e acreditei?


A partir desses e outros questionamentos (e aí é onde uma terapia pode ajudar muito, preferencialmente em conjunto com a meditação) você começa a entender a raiz desses pensamentos e começa também à colocá-los à prova: olhe para a realidade, sem filtros, isso é verdade? As coisas são sempre ruins? Ou sempre boas? Com certeza olhando para o presente, apara a realidade como ela realmente é, você perceberá que é até fácil quebrar esses padrões de pensamentos, porque não existe nenhuma verdade absoluta.

O mundo está sempre em movimento, a vida está sempre em mudança e transformação. E talvez esse seja o nosso maior medo. Nossa consciência racional, nosso ego, quer controlar tudo e a impermanência da realidade é algo que nos assusta e muito. Talvez esse seja o principal motivo pelo qual criamos nossos filtros, para nos convencer que existe um  padrão que nossa mente racional possa lidar e que, dessa maneira, temos o controle.  O medo de lidar com a realidade é o que nos faz criar filtros. Entramos numa constante ilusão, onde mentimos pra nós mesmos e através dessa mentira compreendemos e experimentamos uma vida de mentira. Está na hora de começarmos a viver de verdade! 

Não teremos o controle, não saberemos o que vai acontecer no próximo segundo, não saberemos quanto dura nem mesmo a existência da nossa identidade conforme conhecemos, pois esta acaba com a morte do corpo, que temos que encarar, pode acontecer a qualquer momento. Porém se continuarmos criando ilusões por medo, nunca reconheceremos a verdade: O agora, a nossa verdadeira natureza, o fluir do universo e do nosso ser com toda a beleza e todo o caos e destruição do qual eles são feitos. Não há felicidade maior do que aceitar, compreender e amar tudo isso.

Então, finalmente respondendo a pergunta do início do texto: A resposta não é estar no controle, mas sim abrir mão dele.



quarta-feira, 13 de março de 2019

E se não houver nada de errado com você?

Nós sempre acreditamos que existe algo de errado com a gente. Muitas vezes é isso que nos leva a procurar uma terapia, um psicólogo, ou até mesmo um psiquiatra, chegamos no consultório e já começamos a desabafar tudo que sentimos que está errado conosco. Nos culpamos, nos julgamos, nos pressionamos para corresponder à padrões, na maioria das vezes externos, e toda essa angústia crescente nos faz querer desesperadamente nos "consertar", como se fossemos uma máquina com um "parafuso a menos". Porém não somos máquinas, somos seres únicos, complexos, vivos, em eterno movimento e não existe nenhuma receita, nenhuma técnica e na verdade nenhum remédio que vá nos consertar magicamente, funcionando exatamente igual para todos. E aí eu te pergunto: E se não houver nada de errado com você?



Susan Henkels, uma psicoterapeuta americana com mais de 45 anos de trabalho clínico, escreveu um livro com esse título e eu assisti a palestra dela no TED Talks o que me inspirou para escrever esse texto, pois é algo que eu sempre pensei. (link para o vídeo da palestra no final do texto, porém infelizmente não tem legenda em português.) Susan traz esse questionamento e diz que depois de anos de experiência clínica ela mesma começou a questionar porque as pessoas estão sempre focando no que está errado com elas e sempre querendo se consertar, muitas vezes as pessoas baseiam suas vidas, suas ações e pensamentos em torno de uma lista de coisas que acreditam estar erradas com elas mesmas. Principalmente atualmente, que muitos diagnósticos são dados, às vezes de formas precicipitadas, as pessoas se apegam ao diagnóstico como se fosse definir seu modo de ser e justificam suas ações e pensamentos.


Carl Gustav Jung sempre teve um olhar diferente sobre as patologias, ele dizia que tudo que acontece com a gente faz parte do nosso processo de individuação, isto é, nosso processo de crescimento e amadurecimento psíquico e espiritual. Cada ser é um ser único, e cada ser vai passar pelas mesmas situações de forma totalmente diferente, absorvendo e lidando com aquilo cada um à sua maneira. E afinal porque um traço da sua personalidade deve ser visto como errado ou doente? Só porque ele é diferente da maioria? É claro que precisamos entender o que nos atrapalha e olhar para nossas limitações, para nossa sombra, mas precisamos olhar com acolhimento. E integrando esse aspecto à nossa totalidade, saberemos utilizar ele da melhor forma possível, muitas vezes o transformando numa ferramenta que pode nos auxiliar, ao invés de ser um obstáculo.

Susan conta em sua palestra sobre um roteirista de sucesso que conheceu e que questionou o seu livro. Ele disse pra ela; "É claro que tem algo de errado comigo, eu fui diagnosticado com Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) quando era ainda criança." E Susan questionou: "E o que há de errado com isso?" Ele respondeu: "Eu sempre discordei de todo mundo, o que me fazia não ter muitos amigos e me tornei muito introspectivo." - "E o que há de errado em ser muito introspectivo?" - Ela questiona novamente. E por aí vai...Todas as justificativas que o homem traz, são comportamentos que saiem do padrão considerado "certo" pela sociedade, porém no final de todos os questionamentos de Susan (que são sempre perguntando "E qual o problema disso?") ele chega à conclusão que o seu "transtorno" proporcionou que ele fosse um roteirista tão bem sucedido. O fato dele ter se tornado uma pessoa mais introspectiva e ser sempre muito questionador e imaginativo, fez com que ele sempre criasse histórias incríveis e o direcionou para ser original  e bem sucedido nessa profissão.


O que estamos falando aqui é sobre aceitação de si mesmo. Não é sobre negar nossas dificuldades, mas sim compreender que todos tem alguma dificuldade e ninguém é melhor ou pior do que ninguém. Como já falei anteriormente somos seres únicos e não tem como comparar algo único. Cada um tem características maravilhosas e profundas dificuldades, o que precisamos fazer é olhar para nós mesmos e nos aceitar e nos amar. Não existe nada de errado em ser quem você é! E quanto mais você se aceita e se ama, mais você aprende a lidar com o que parece "errado" em si mesmo, entende que como em qualquer totalidade, os pólos se complementam e aquilo que parece errado pode ser utilizado junto com todas as suas qualidades, aquilo, seja o que for, pode se transformar em algo que trabalhará a seu favor.


O primeiro passo para essa mudança de ponto de vista é nos desapegarmos de uma vez por todas dos padrões que nos são impostos de fora. Não temos que seguir o que os outros pensam, não temos que seguir o que a sociedade ou a religião diz que é certo ou errado, temos que seguir apenas a nossa natureza. No momento em que formos verdadeiros com nós mesmos, acolhendo cada pedacinho nosso, saberemos utilizar todas as nossas características para o nosso próprio bem estar e o bem estar comum. A natureza é sábia e tende ao equlíbrio. Jung também dizia que fazemos um esforço enorme para nos desequilibrar, as doenças, principalmente emocionais, demandam uma energia enorme da nossa mente e do nosso corpo, porque saímos do nosso natural. Achamos que é preciso nos esforçar para "ficar bem" e na verdade é o contrário, o esforço é pra "ficar mal". O nosso natural é o equilíbrio. E esse equilíbrio é próprio de cada um.


Então toda vez que surgirem os pensamentos limitantes, os auto boicotes que nos colocam pra baixo, e toda aquela "ladainha" que falamos para nós mesmos de certo ou errado, pare e questione: "E se não houver nada de errado comigo?" Se aceite. Se ame. E a partir daí você será capaz de transformar a sombra em luz.


Vídeo da palestra de Susan: https://www.youtube.com/watch?v=gF5XztmijhQ

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Como direcionar melhor seus objetivos?

O texto de hoje será mais prático, vou trazer diversas dicas e práticas para te ajudar a direcionar melhor seus objetivos e criar metas.
Todo  ano temos a tendência de criar diversas metas no início do ano e nem sempre conseguimos realizar esses objetivos no decorrer do ano em nosso dia a dia. E porque isso acontece?
Podemos pensar racionalmente em diversas razões como a falta de foco, os afazeres diários que muitas vezes nos engolem, a preguiça e cansaço, até mesmo imprevistos e dificuldades que surgem no caminho. Mas a verdade é que muitas vezes o que nos paralisa está mais associado com as nossas emoções mais profundas.

Toda mudança começa de dentro. Não é possível transformar nada sem transformar a si mesmo. As emoções nos movem. O hábito é um padrão emocional que já está enraízado no corpo, nosso corpo se acostumou com ele. Por isso é necessário observar e transformar nosso estado emocional para podermos promover alguma mudança nos hábitos. E essa é a primeira dica!


1 - Observe suas emoções
Quais são os meus "auto boicotes"? Quais as emoções que me travam, que costumam vir à tona e me paralisar diante de alguma meta ou objetivo? Existe alguma emoção constante que está sempre comigo da qual eu quero "fugir" (como tristeza, melancolia, desânimo, etc.)? A solução é olhar pra isso, entender sua raiz. Somente compreendendo podemos transformar. Uma terapia sempre ajuda.

Ainda sobre as emoções, porém agora observando as positivas,  ajuda nos questionarmos: Como eu quero me sentir? E o que já me fez eu me sentir assim, ou o que pode me ajudar a trazer essa emoção em mim? Por exemplo eu quero me sentir mais bem disposta, com mais energia e menos preguiça e quando eu fazia exercícios físicos regularmente eu me sentia assim, mais bem disposta, logo já sei o que devo fazer. 



2- Repense suas metas e objetivos
Seus objetivos e metas estão de acordo com a sua natureza? Você reconhece que são coisas que realmente vão te fazer bem e não uma exigência de fora, da sociedade ou de parentes? São metas que realmente te movem, que fazem sentido pra você? E aqui entra a motivação, que é o nosso combustível para realizar. Sem motivação nada acontece. E se você não está motivado com seus objetivos é porque talvez esses não sejam os objetivos mais adequados pra você. Aqui não devemos pensar em certo ou errado, mas sim no que faz sentido de verdade pra gente. 

3- Respeite seu tempo, seja realista e faça uma coisa de cada vez
Você reconhece seu tempo interno? Você está respeitando isso dentro dessas metas? São metas que você realmente pode realizar dentro desse período, é realmente possível? 
A maior dica em um processo de mudança é colocar metas e objetivos possíveis, pois quando nós realizamos algo nos sentimos vitoriosos e capazes e essa sensação nos impulsiona a realizar mais. Em contrapartida quando colocamos muitas metas ao mesmo tempo ou objetivos muito dificeis para nosso momento de vida, tendemos a não realizar e focar no fracasso, quando nos sentimos fracassados nos desanimamos e a tendência é desacelerarmos, ficar pra baixo e realizar menos ainda...é um ciclo vicioso. Por isso faça uma coisa de cada vez, no máximo 3 objetvos por vez é o ideal, com prazos realistas e comece sempre pelo mais fácil, para alimentar em você a sensação de sucesso. 


4- Comemore as pequenas vitórias
Você acordou cedo hoje, comemore! Você não se abalou com o copo que quebrou, comemore também! Você cozinhou seu próprio almoço ao invés de comer uma bobagem na rua, se dê parabéns por isso! Comemorar as pequenas vitórias, se parabenizar pelos pequenos atos, é uma técnica que realmente funciona, pois nos ajuda a manter a mente focada no positivo, nos ajuda a nos sentir bem com a gente mesmo. Lembrando que todos os pensamentos liberam substâncias químicas no corpo, então tudo o que pudermos fazer para liberar substâncias que nos ajudem, é um ótimo caminho. 

5- Lista, listas e mais listas
Planeje. faça listas, ponha horários, crie o seu método e sua forma de disciplina. Isso é muito importante, pois organiza os pensamentos e organiza o nosso dia a dia tão caótico. Como diria o poeta Renato Russo "disciplina é liberdade". E na dose certa é mesmo!



6- Quadro de desejos
A última dica e não menos importante é uma técnica de arteterapia muito gostosa de fazer e que dá resultados maravilhosos: Montar um "quadro de desejos". A prática é bem simples: depois de organizar mentalmente, e de preferencia no papel também, alguns objetivos para seu ano (levando em consideração todas as dicas anteriores), procure imagens em revistas, jornais ou até mesmo na internet (aí depois é só imprimir) que simbolizem pra você os seus objetivos do ano. Cole essas imagens em uma cartolina e depois decore como desejar. Você pode escrever algumas coisas também, mas o foco é nas imagens. Decore de forma visualmente agradável e bonita para você e depois pendure esse quadro em um local que você veja sempre, o ano todo. Além de estar sempre se lembrando do que você estabeleceu como meta pra você, esta prática acessa diretamente nosso inconsciente através das imagens. Olhando pra ela todos os dias estamos enviando mensagens para nosso inconsciente de que é aquilo que vamos realizar. E como nosso inconsciente se conecta com o universo inteiro, assim mandamos também essa mensagem pro universo!


Boas realizações e um 2019 de muita prosperidade para todos nós!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

O caminho do Louco: O processo de Individuação e os 22 arcanos maiores do Tarot

O Tarot é muito mais do que um jogo. Os 22 Arcanos maiores do Tarot nos contam uma história simbólica sobre o nosso próprio inconsciente, nosso próprio Processo de Individuação, isto é, nosso processo de evolução interior. Compreender os arquétipos presentes em cada carta é compreender várias partes de si mesmo e de sua jornada!


Um dos conceitos base da psicologia analítica é o conceito de arquétipo. O arquétipo é um registro simbólico que existe em nosso inconsciente, sobre imagens e símbolos universais na historia da humanidade. Um exemplo: Mãe. Quando falamos a palavra "mãe" já vem milhões de idéias e informações na nossa mente, pois o nosso inconsciente tem uma idéia do que é "mãe". A mãe é um arquétipo. Não importa se a nossa mãe não foi perfeita, nós com certeza temos um ideal, uma idéia na nossa mente do que é uma mãe perfeita. Da mesma forma existe o arquétipo do herói, do sábio, do rei, da rainha, da mulher bruxa, da mulher princesa, e de tantos outros infinitos ideais.

Jung percebeu que acessar esses arquétipos, através de contos de fada, de filmes, de imagens ou na clínica, ajudava muito o processo de autoconhecimento de uma pessoa, porque através do acesso a essa idéia, a pessoa sai do discurso racional diretamente para o inconsciente. Peça para uma pessoa que você mal conhece falar dela mesma, provavelmente ela vai ficar desconfiada, sem graça, se sentindo exposta. Agora peça para essa mesma pessoa que você mal conhece falar de um personagem de um filme ou de um conto de fada que ela mais gosta. Normalmente a pessoa fala sem problemas, e até se empolga contando detalhes daquele personagem, e assim ela está na verdade falando dela mesma.

Quando nos identificamos com uma historia ou personagem nos identificamos porque existe naquela historia elementos nossos, da nossa personalidade, da nossa vida, que muitas vezes estão inconscientes e aquela historia ou personagem em questão nos chama a atenção e nem sabemos direito porque. crianças fazem muito isso, brincam que "são" os personagens de uma historia. Se observarmos com atenção com certeza essa escolha de "quem são" diz muito sobre quem são de fato e o que sentem.


Por isso o Tarot é uma ferramenta incrível para o trabalho na clinica, os arcanos do Tarot são pura e simplesmente arquétipos, que acessam direto nosso inconsciente. E quando tiramos uma carta ainda estamos trabalhando com um outro conceito Junguiano o da sincronicidade.

Segundo Jung não existem coincidências, mas sim sincronicidades. Se dois eventos acontecem sem uma causa especifica e carregam um significado pessoal, isso é uma sincronicidade e o universo está querendo "falar com você". Com o conceito de inconsciente coletivo, Jung nos traz a visão de que não estamos totalmente separados do universo, tudo está conectado. E a ampliação da nossa consciência depende desse mergulho dentro desse mundo não racional.

O inconsciente e o consciente existem num estado profundo de interdependência recíproca e o bem-estar de um é impossível sem o bem-estar do outro. Esta percepção talvez seja uma das mais importantes contribuições de Jung para uma nova e mais significativa compreensão da natureza da consciência: Só poderia ser renovada e ampliada, na medida em que a vida exigisse que ela fosse renovada e ampliada, pela manutenção de suas linhas não-racionais de comunicação com o inconsciente coletivo.


Por esse motivo Jung dava grande valor a todos os caminhos não-racionais ao longo dos quais o homem tentara, no passado, explorar o mistério da vida e estimular o seu conhecimento consciente do universo que se expandia à sua volta em novas áreas de ser e conhecer. Essa é a explicação do seu interesse, por exemplo, pela astrologia, e é também a explicação da significação do Tarot.

Ele reconheceu de pronto, como o fez em muitos outros jogos e tentativas primordiais de adivinhação do invisível e do futuro, que o Tarot  tinha sua origem e antecipação nos padrões profundos do inconsciente coletivo, com acesso a potenciais de maior percepção à disposição desses padrões. Era outra ponte não-racional sobre o aparente divisor de águas entre o inconsciente e a consciência, que poderia ajudar a ampliar o crescente fluxo de movimento entre a escuridão e a luz.

Simbolicamente o Arcano de numero 0, O Louco, representa cada um de nós, viajando por todo esse mundo, interno e externo, dos outros 21 arcanos.  O louco representa o arquétipo do andarilho, que se joga na vida por um impulso que vem da alma, muitas vezes sem saber racionalmente ao certo pra onde essa caminhada vai o levar, apenas sente que deve ir. Quem busca o autoconhecimento, ou na linguagem Junguiana a Individuação, sabe que é exatamente essa a sensação. Mergulhamos em nós mesmos em uma jornada sem volta, num processo que sentimos que precisamos seguir. Muitas vezes somos chamados por outros de loucos, inclusive.


Em alguns baralhos o arcano "O Louco" aparece como "The Fool", que significa o tolo, essa tolice vem no sentido de ingenuidade, pois esse arcano representa o inicio de uma jornada onde estamos muito animados e empolgados, mas ainda não sabemos o que nos espera. Porém ao fim dessa jornada o tolo se torna o sábio, e é exatamente essa transformação que o autoconhecimento nos proporciona.

O Caminho do Louco é o caminho que todos nós fazemos na vida, dentro e fora de nós. É o "sair da caverna" do Platão, descobrir que existe todo um universo lá fora e uma jornada a seguir, caminhar e descobrir suas maravilhas e terrores. Se observarmos em sequência todos os arcanos perceberemos que eles contam uma história semelhante à jornada do herói dos contos e mitologias, e assim como na jornada do herói, cada etapa desse caminho fala também sobre nossos processos internos nos deparando com o processo de autoconhecimento no caminhar da vida. Por isso o uso do Tarot dessa forma mais terapêutica é tão eficaz, pois nos ajuda a compreender padrões de comportamento e a nos direcionar na caminhada da vida.

Então boa caminhada para todos os loucos e heróis que seguem o árduo porém recompensador caminho da busca por se "re-conhecer" e simplesmente ser quem você é!

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Transformação e Individuação

Se eu pudesse resumir com as minhas palavras o que é o processo de individuação eu diria que é um processo de habitar (ou re-habitar) seu verdadeiro eu, aquele o qual nos distanciamos tanto durante a vida, isto é, nosso Self. Não se trata de uma descoberta, porque ele já existe, ele é você, se trata de uma aproximação, se trata exatamente de passar a "morar" nele, habitá-lo.


Na jornada da vida sempre nos distanciamos desse verdadeiro eu, criando uma lacuna enorme entre quem realmente somos e o que mostramos para o mundo (e muitas vezes para nós mesmos). Durante a formação de nosso ego, construímos máscaras (as personas) as quais acreditamos  por muito tempo ser, reprimimos características que não agradam esse ego em construção, isto é, que não agradam ao nosso "ideal" de ser, ideal este que normalmente corresponde às exigências sociais, familiares, religiosas, etc. E assim uma grande parte de nossas características fica na escuridão da inconsciência (sombra). Reprimimos também, jogando pra debaixo do tapete da inconsciência, o nosso pólo oposto, Yin ou Yang, aquela energia que não ficamos tão confortáveis em lidar (Anima Animus) e tudo isso faz com que uma grande parte do nosso ser esteja inconsciente, e a gente só tenha consciência de uma pontinha do iceberg infinito que é a nossa psique, logo nos distanciamos obviamente de quem realmente somos, porque somos tudo, tanto o que está sendo visto, quanto o que não está (que é na verdade muito maior).

Quando damos início a um processo de autoconhecimento, seja uma terapia, meditações, ou mesmo da sua maneira individual, começamos o processo de iluminar a escuridão, de tirar da inconsciência esses aspectos. Primeiro começamos a perceber que as nossas máscaras sociais podem ser úteis, mas não são quem somos de verdade. Ao abandoná-las ou ressignificá-las, aprofundamos em quem realmente somos e começa a surgir na consciência tudo isso que estava "debaixo do tapete"...E você vai assim se conhecendo cada vez mais, se tornando cada vez mais completo, reconhecendo cada vez mais a sua natureza. O self é a inteireza da psique. É você finalmente se conhecer como um todo e a sua consciência habitar esse todo, e não mais se limitar a olhar pro mundo através da janelinha microscópica do ego.


É um processo difícil de viver na prática, é um processo infinito, pois como Jung dizia não tem um "final do caminho" nem um objetivo, se existe algum objetivo é o próprio processo. Mudamos muito durante esse processo. Porém observo em mim mesma e na minha clínica que o que mais atrapalha as transformações nesse processo são os apegos, os famosos hábitos. 

Todos nós temos padrões de comportamentos que há muito tempo consideramos destrutivos e queremos mudar. Todos nós temos pensamentos autolimitantes que muitas vezes nos colocam pra baixo e nos paralisam. Todos nós temos emoções que nos boicotam, nos bloqueiam, e parecem nos fazer regredir sempre. Mesmo estando no processo de autoconhecimento e individuação, todos nós costumamos nos sentir em algum momento paralisados ou regredindo por nosso hábitos.
Afinal, como mudar isso?

Como já sabemos, para transformar qualquer coisa é preciso, antes de tudo conhecê-la. Precisamos estar conscientes de quem somos no momento( isto é, ser sincero com você mesmo sobre o quanto você se conhece hoje e quais são as limitações e potencialidades que você vê em você),  de onde estamos nos limitando e o que exatamente que queremos mudar em nós para nos tornarmos nossa melhor versão de ser. Precisamos estar conscientes de como nossa mente influencia no nosso corpo e no nosso ambiente, como nossos pensamentos influenciam nas nossas emoções e na nossa vida. Depois de tomarmos consciência desses processos começamos a ser capaz de modificá-los.


No livro "Quebrando o hábito de ser você mesmo" Dr. Joe Dispenza, bioquímico, cientista e neurologista, nos apresenta uma série de conhecimentos que nos dão base para compreender melhor a nossa mente. A física quântica e a neurociência já provam hoje uma nova maneira de compreender a realidade externa e interna, como um processo único em constante troca, com o qual nós podemos trabalhar em conjunto, criar em conjunto com o universo, já pensou nisso?

Tudo que existe no universo, todos nós, todos os animais, todas as árvores, todos os seres vivos e também não vivos, todos os objetos...tudo que existe é feito em menor escala da mesma "substância". A menor partícula de todas, que compõe todos os corpos de tudo o que existe, não se comporta sempre como partícula, quando ela não está interagindo ou sendo observada ela se comporta como uma onda, uma frequência, ou podemos dizer como energia. Isso é o que a Física quântica vem estudando há anos, resumindo e simplificando muito, tudo o que existe é energia. São ondas, frequências vibracionais. Você vibra em uma frequência e se alinha com frequências semelhantes, e toda a sua vida é direcionada dessa forma.


Uma das maiores mentiras em que acreditamos a respeito de nós mesmos e da nossa verdadeira natureza é que não passamos de seres físicos limitados por uma realidade material. Restringir a verdade sobre a nossa real natureza é escravizante e nos mantém como seres finitos vivendo uma vida linear que carece de algum significado real. E é a essa busca por propósito que todos estamos, pois no fundo todos sentimos que precisamos descobrir a verdade, como no filme Matrix, sabemos lá no fundo que existe algo mais. Somos limitados apenas pelas perguntas que fazemos, pelas crenças que adotamos e por nossa habilidade de manter a mente e o coração abertos ao novo, e ir além. 

A ansiedade a depressão a frustração, raiva, culpa, dor, preocupação, tristeza – emoções manifestadas regularmente por bilhões de pessoas – não são naturais. São sim o motivo da vida desequilibrada e deslocada do verdadeiro eu. Não são emoções “normais”, são comuns, porém não são naturais. E imagine só a frequência que você se alinha quando carrega essas emoções constantemente! As pessoas querem mudar a vida sem mudar elas mesmas, e isso não é possível.

Os estados de consciência supostamente “alterados” que atingimos durante uma meditação, por exemplo, ou observando a natureza em um momento de paz interior, são de fato os estados mais naturais da mente humana e deveríamos nos esforçar para viver neles em nosso cotidiano. Manter estados emocionais e pensamentos alinhados em coerência com o que desejamos criar em nossa vida, em nosso dia a dia e em nosso futuro é a chave para transformar tudo.


Muitas vezes somos viciados em algumas emoções, pois as emoções liberam químicas em nosso corpo e o nosso corpo quer aquela química. O nosso corpo não entende nenhuma emoção como boa ou ruim, isso é um julgamento do cérebro, o nosso corpo simplesmente quer aquela química. Logo mudar esses hábitos, esses padrões emocionais, pode levar mesmo um tempo e exige esforço e dedicação, no livro que citei o autor sugere a meditação como ferramenta para auxiliar o processo. A meditação ajuda muito, pois atua diretamente no cérebro modificando as ondas cerebrais e enviando para o corpo novas químicas, mais saudáveis. Exige esforço e disciplina inicialmente, porém só depende de você.

Você não tem como criar uma nova realidade, ou resolver uma situação em sua vida, sendo a mesma pessoa que você é hoje, é preciso mudar. Abrir mão de determinados comportamentos, transformar pensamentos e emoções, se reconstruir. Somente você pode fazer isso. Esse é o seu poder e a sua responsabilidade.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Navaratri - A vitória da luz sobre a sombra

Hoje começa o Navaratri um dos maiores festivais da Índia.
O Navaratri tem um significado muito rico, ele é celebrado para remover a nossa ignorância existencial. 
Durante nove noites e dez dias, as casas, as ruas, as cidades, tudo é bem decorado e começa a brilhar. Uma atmosfera de festa aparece em todos os lugares. As pessoas vestem roupas novas e muita música, dança, comidas e alegria avivam a vida da população. Simbolicamente o Navaratri representa a vitória da luz sobre a sombra, no processo espiritual de todos nós. E isso é feito através das adorações às personificações de Shakti, o principio feminino.


Assim, é dito que Shiva, que simboliza a consciência pura, só pode ser conhecido através de Shakti, que representa a Divina Energia. E é por isso que as pessoas adoram Shakti, que é Devi (princípio feminino), em Suas várias manifestações.

Durante os três primeiros dias do Navaratri, Durga é adorada. Ela personifica o aspecto de Shakti que destrói as nossas tendências negativas. O processo de tentar controlar nossos sentidos é similar a uma guerra onde a mente resiste a todas as tentativas de controle sobre ela.


A adoração a Lakshmi acontece nos três dias seguintes. Lakshmi representa a prosperidade, nos ajuda a transcender o "paradigma da escassez" ou a "ilusão da falta", ela nos mostra que temos acesso à toda energia disponível no universo, pois somos parte dessa energia, logo nosso potencial é infinito. A abundância fluí dentro de nós.


Os três últimos dias são dedicados a Saraswati, a incorporação do Conhecimento, da sabedoria divina. Ela simboliza a iluminação da Verdade Suprema.


O décimo dia é Vijaya Dashami, ou festival da vitória, que simboliza o momento em que a Verdade nasce no interior. As tendências negativas precisam ser controladas; as suas qualidades  e potencialidades necessitam ser assimiladas; depois de ganhar necessária pureza mental,o conhecimento espiritual pode ser adquirido. Somente então a verdade nasce.

Podemos perceber nessa filosofia grande semelhança com o processo de individuação Junguiano, onde primeiro temos que confrontar nossas tendências destrutivas, como as tantas personas que não nos servem mais e a nossa sombra, e assim iluminando a sombra começamos a integrar também nossas qualidades e tomar consciência de nosso potencial infinito, para só então, a partir daí poder nascer a verdade: O Self, uma mudança de paradigma que nos faz compreender a sabedoria única de que somos tudo isso e muito mais que tudo isso.


"A deusa Durga é uma incorporação de Shakti( princípio feminino) que representa a superação do mal no mundo. Que nesse Navaratri você possa usar suas bençãos e seu poder para superar os problemas em sua vida. Desejo à você um Feliz Navaratri"


O que na minha opinião é lindo, é que na Índia eles passam por todos esses processos internos, através de suas orações, mantras e rituais, em clima de alegria e festa. Eles me parecem compreender sabiamente que a mudança e a transformação fazem parte da vida. Nós, ocidentais, normalmente (pois não gosto de generalizar nada) esperamos o pior para mudar. Ficamos em nossa zona de conforto e esperamos o pior cenário, seja interno ou externo, esperamos o incomodo ser insuportável para mudar alguma coisa. Porque mudar apenas no sofrimento se podemos escolher mudar na alegria?

Se você sabe que pode ser melhor do que você é no momento, se reconhece que não está utilizando toda a sua energia e o seu potencial, se movimente, se transforme, saia da sua zona de conforto e siga o caminho, difícil porém satisfatório de se conhecer e se aprimorar. Nem sempre é somente agradável, mas sempre é necessário.

Precisamos confrontar nossas questões e aspectos internos para podermos transcendê-los. Precisamos aceitar pra transformar. Precisamos compreender quem somos, para nos tornar quem queremos ser. 

Aproveitem a energia desses nove dias para promover mudanças internas. Afinal, o externo, o coletivo, só reflete quem somos.
Feliz Navaratri para todos!