quarta-feira, 24 de abril de 2019

O poder da mente e seus "filtros"


Hoje muito se fala sobre o poder da nossa mente e dos nossos pensamentos, já estamos cansados de ouvir dizer sobre como que os pensamentos podem atrair e criar situações em nossas vidas e existem diversas teorias do porquê  isso é real, desde teorias mais místicas como "a lei da atração", até algumas teorias da psicologia comportamental, e por fim estudos recentes da físicia quântica e neurociência que provam que realmente nossa mente direciona toda a nossa vida. Sabemos disso tudo, mas fica a questão: Como controlar nossos pensamentos? Porque às vezes é tão difícil controlar a nossa mente, pra onde ela "vai" ou "deixa de ir"? Porque tantas vezes nos sentimos escravos, praticamente presos, nesse redemoinho de imagens e falações incessantes? Afinal como estar no controle desse ser que às vezes parece outro ser, totalmente diferente de nós?


 Primeiro é importante compreendermos na teoria como esse processo realmente funciona. Eu não concordo totalmente com essa ideia mágica de lei de atração, por isso trago um embasamento por um olhar mais prático. Faça agora um exercício: Olhe por um momento à sua volta onde você estiver, repare tudo que está à sua volta, televisão, sofá, você provavelmente está sentado em uma cadeira, usando um computador, ou está lendo isso no seu celular na rua; se estiver na rua à sua volta tem carros, prédios, o chão que você pisa...tudo, absolutamente tudo isso foi criado por nós, seres humanos. Principalmente em uma cidade, praticamente nada é totalmente natural, casas, chão, carros, prédios, tudo foi criado por nós. E essa criação só aconteceu porque alguém algum dia teve uma idéia, planejou, procurou matéria prima e uma forma de colocar essa ideia na realidade e finalmente, criou. E o que é uma ideia, afinal? Um pensamento. O que é planejar? Pensar. Então como duvidamos que o pensamento cria a nossa realidade? Ele já criou! Tudo que existe à nossa volta foi criado por pensamentos. E ele está criando mais milhões de coisas o tempo todo. Desde de um artefato médico maravilhoso que salva vidas, até uma bomba atômica que pode destruir toda a humanidade. Esse é o poder criativo e destrutivo do nosso pensamento, da nossa mente, de nós mesmos.


 Trazendo para o nosso dia a dia é claro que isso se torna mais subjetivo e em menor escala, porém no fundo é a mesma coisa. Podemos criar o dia mais incrível das nossas vidas, ou o dia mais terrível de todos, e na maioria das vezes isso independe do mundo "externo". E esse é outro ponto importante: Afinal o que é o mundo externo? Segunda a física quântica atual, tudo que existe são informações, sinapses, troca de energia, e o nosso cérebro traduz todas essas informações para formar o que chamamos de realidade. Captamos a luz através dos nossos olhos, enviamos a informação para o nosso cérebro e ele codifica. Tudo que vemos e experimentamos são interpretações da nossa mente. Me parece óbvio que a forma que interpretamos vai depender, e muito, da forma como nos sentimos, e a forma como nos sentimos depende, e muito, da forma como pensamos. E por fim as nossas ações são sempre resultados de pensamentos, sentimentos e experiências, logo está tudo conectado nesse ciclo.

Por exemplo se eu tive um noite ruim, não dormi bem, tive pesadelos, acordo mal humorada, e já inicio meu dia com pensamentos ruins, que geram sentimentos desagradáveis, e assim eu começo a interpretar as experiências daquele dia a partir desse filtro. Provavelmente as mesmas experiências de outros dias terão um peso muito maior passando por esse filtro onde tudo está me parecendo difícil ou desagradável. E a partir daí minhas ações estarão resultando de todo esse cenário desagradável e pesado que estou vivendo neste dia. Tem gente que vive assim todos os dias! E é aí onde entram os hábitos. A pessoa se enfia tão profundamente nesse filtro, que não consegue mais ver além dele, vê somente através dele, e assim começa a pensar sempre dessa mesma forma, sentir dessa forma e consequentemente agir dessa forma. Toda a sua vida é vivida e criada através do filtro do "desagradável", "difícil" , "sofrido" e por aí vai...Como qualquer hábito, quanto mais alimentamos, mais ele se fortalece. O filtro vai se tornando cada vez mais espesso, denso, e a realidade daquela pessoa passa a ser indiscutivelmente daquela maneira.  


Com certeza esse será um mundo totalmente diferente do mundo  de uma outra pessoa que desde pequena aprendeu a ver a vida através do filtro "está tudo bem", "tudo é maravilhoso", "tudo vai dar certo". Mas será que esse filtro também não é nocivo? Muitas vezes sim, pois enquanto a outra pessoa está imersa no sofrimento e provavelmente se vitimizando, essa pessoa pode estar fugindo das dores e provavelmente idealizando e se iludindo. E o fato é que nenhum dos filtros condiz com a realidade. A realidade é feita de dores e alegrias, onde o que precisamos é aprender a lidar com ambas.

Então voltando aos pensamentos, sim eles criam o nosso mundo, a nossa vida, as nossas experiências, e o primeiro passo para aprender a direcioná-los é estar consciente deles. Todo esse processo que falei acima acontece muitas vezes de forma insconsciente, a maioria das pessoas nem percebe o filtro que está usando e como esse ciclo todo acontece. Então o primeiro questionamento é: Eu estou usando um filtro para ver e experimentar a vida? Qual o filtro que estou usando? Eu estou vendo as coisas como elas realmente são?

A meditação é uma ferramenta incrível (e na minha opinião o melhor caminho) para aprendermos a observar e parar de nos identificar com nossos pensamentos. Através da meditação compreendemos de forma prática, sentimos mesmo, que não somos nossos pensamentos. Existe um observador, existe uma consciência além deles, logo podemos sim direcioná-los. Com essa prática de distanciamento e observação constante, você começa a discernir o que é cada pensamento e quais são os mais freqüentes e constantes e aí é onde entra a parte terapêutica: Porque esse pensamento é constante? Ele tem uma origem? Ele me alimenta de alguma forma? Ou ele é uma crença, algo que eu ouvi minha vida toda e acreditei?


A partir desses e outros questionamentos (e aí é onde uma terapia pode ajudar muito, preferencialmente em conjunto com a meditação) você começa a entender a raiz desses pensamentos e começa também à colocá-los à prova: olhe para a realidade, sem filtros, isso é verdade? As coisas são sempre ruins? Ou sempre boas? Com certeza olhando para o presente, apara a realidade como ela realmente é, você perceberá que é até fácil quebrar esses padrões de pensamentos, porque não existe nenhuma verdade absoluta.

O mundo está sempre em movimento, a vida está sempre em mudança e transformação. E talvez esse seja o nosso maior medo. Nossa consciência racional, nosso ego, quer controlar tudo e a impermanência da realidade é algo que nos assusta e muito. Talvez esse seja o principal motivo pelo qual criamos nossos filtros, para nos convencer que existe um  padrão que nossa mente racional possa lidar e que, dessa maneira, temos o controle.  O medo de lidar com a realidade é o que nos faz criar filtros. Entramos numa constante ilusão, onde mentimos pra nós mesmos e através dessa mentira compreendemos e experimentamos uma vida de mentira. Está na hora de começarmos a viver de verdade! 

Não teremos o controle, não saberemos o que vai acontecer no próximo segundo, não saberemos quanto dura nem mesmo a existência da nossa identidade conforme conhecemos, pois esta acaba com a morte do corpo, que temos que encarar, pode acontecer a qualquer momento. Porém se continuarmos criando ilusões por medo, nunca reconheceremos a verdade: O agora, a nossa verdadeira natureza, o fluir do universo e do nosso ser com toda a beleza e todo o caos e destruição do qual eles são feitos. Não há felicidade maior do que aceitar, compreender e amar tudo isso.

Então, finalmente respondendo a pergunta do início do texto: A resposta não é estar no controle, mas sim abrir mão dele.



quarta-feira, 13 de março de 2019

E se não houver nada de errado com você?

Nós sempre acreditamos que existe algo de errado com a gente. Muitas vezes é isso que nos leva a procurar uma terapia, um psicólogo, ou até mesmo um psiquiatra, chegamos no consultório e já começamos a desabafar tudo que sentimos que está errado conosco. Nos culpamos, nos julgamos, nos pressionamos para corresponder à padrões, na maioria das vezes externos, e toda essa angústia crescente nos faz querer desesperadamente nos "consertar", como se fossemos uma máquina com um "parafuso a menos". Porém não somos máquinas, somos seres únicos, complexos, vivos, em eterno movimento e não existe nenhuma receita, nenhuma técnica e na verdade nenhum remédio que vá nos consertar magicamente, funcionando exatamente igual para todos. E aí eu te pergunto: E se não houver nada de errado com você?



Susan Henkels, uma psicoterapeuta americana com mais de 45 anos de trabalho clínico, escreveu um livro com esse título e eu assisti a palestra dela no TED Talks o que me inspirou para escrever esse texto, pois é algo que eu sempre pensei. (link para o vídeo da palestra no final do texto, porém infelizmente não tem legenda em português.) Susan traz esse questionamento e diz que depois de anos de experiência clínica ela mesma começou a questionar porque as pessoas estão sempre focando no que está errado com elas e sempre querendo se consertar, muitas vezes as pessoas baseiam suas vidas, suas ações e pensamentos em torno de uma lista de coisas que acreditam estar erradas com elas mesmas. Principalmente atualmente, que muitos diagnósticos são dados, às vezes de formas precicipitadas, as pessoas se apegam ao diagnóstico como se fosse definir seu modo de ser e justificam suas ações e pensamentos.


Carl Gustav Jung sempre teve um olhar diferente sobre as patologias, ele dizia que tudo que acontece com a gente faz parte do nosso processo de individuação, isto é, nosso processo de crescimento e amadurecimento psíquico e espiritual. Cada ser é um ser único, e cada ser vai passar pelas mesmas situações de forma totalmente diferente, absorvendo e lidando com aquilo cada um à sua maneira. E afinal porque um traço da sua personalidade deve ser visto como errado ou doente? Só porque ele é diferente da maioria? É claro que precisamos entender o que nos atrapalha e olhar para nossas limitações, para nossa sombra, mas precisamos olhar com acolhimento. E integrando esse aspecto à nossa totalidade, saberemos utilizar ele da melhor forma possível, muitas vezes o transformando numa ferramenta que pode nos auxiliar, ao invés de ser um obstáculo.

Susan conta em sua palestra sobre um roteirista de sucesso que conheceu e que questionou o seu livro. Ele disse pra ela; "É claro que tem algo de errado comigo, eu fui diagnosticado com Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) quando era ainda criança." E Susan questionou: "E o que há de errado com isso?" Ele respondeu: "Eu sempre discordei de todo mundo, o que me fazia não ter muitos amigos e me tornei muito introspectivo." - "E o que há de errado em ser muito introspectivo?" - Ela questiona novamente. E por aí vai...Todas as justificativas que o homem traz, são comportamentos que saiem do padrão considerado "certo" pela sociedade, porém no final de todos os questionamentos de Susan (que são sempre perguntando "E qual o problema disso?") ele chega à conclusão que o seu "transtorno" proporcionou que ele fosse um roteirista tão bem sucedido. O fato dele ter se tornado uma pessoa mais introspectiva e ser sempre muito questionador e imaginativo, fez com que ele sempre criasse histórias incríveis e o direcionou para ser original  e bem sucedido nessa profissão.


O que estamos falando aqui é sobre aceitação de si mesmo. Não é sobre negar nossas dificuldades, mas sim compreender que todos tem alguma dificuldade e ninguém é melhor ou pior do que ninguém. Como já falei anteriormente somos seres únicos e não tem como comparar algo único. Cada um tem características maravilhosas e profundas dificuldades, o que precisamos fazer é olhar para nós mesmos e nos aceitar e nos amar. Não existe nada de errado em ser quem você é! E quanto mais você se aceita e se ama, mais você aprende a lidar com o que parece "errado" em si mesmo, entende que como em qualquer totalidade, os pólos se complementam e aquilo que parece errado pode ser utilizado junto com todas as suas qualidades, aquilo, seja o que for, pode se transformar em algo que trabalhará a seu favor.


O primeiro passo para essa mudança de ponto de vista é nos desapegarmos de uma vez por todas dos padrões que nos são impostos de fora. Não temos que seguir o que os outros pensam, não temos que seguir o que a sociedade ou a religião diz que é certo ou errado, temos que seguir apenas a nossa natureza. No momento em que formos verdadeiros com nós mesmos, acolhendo cada pedacinho nosso, saberemos utilizar todas as nossas características para o nosso próprio bem estar e o bem estar comum. A natureza é sábia e tende ao equlíbrio. Jung também dizia que fazemos um esforço enorme para nos desequilibrar, as doenças, principalmente emocionais, demandam uma energia enorme da nossa mente e do nosso corpo, porque saímos do nosso natural. Achamos que é preciso nos esforçar para "ficar bem" e na verdade é o contrário, o esforço é pra "ficar mal". O nosso natural é o equilíbrio. E esse equilíbrio é próprio de cada um.


Então toda vez que surgirem os pensamentos limitantes, os auto boicotes que nos colocam pra baixo, e toda aquela "ladainha" que falamos para nós mesmos de certo ou errado, pare e questione: "E se não houver nada de errado comigo?" Se aceite. Se ame. E a partir daí você será capaz de transformar a sombra em luz.


Vídeo da palestra de Susan: https://www.youtube.com/watch?v=gF5XztmijhQ

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Como direcionar melhor seus objetivos?

O texto de hoje será mais prático, vou trazer diversas dicas e práticas para te ajudar a direcionar melhor seus objetivos e criar metas.
Todo  ano temos a tendência de criar diversas metas no início do ano e nem sempre conseguimos realizar esses objetivos no decorrer do ano em nosso dia a dia. E porque isso acontece?
Podemos pensar racionalmente em diversas razões como a falta de foco, os afazeres diários que muitas vezes nos engolem, a preguiça e cansaço, até mesmo imprevistos e dificuldades que surgem no caminho. Mas a verdade é que muitas vezes o que nos paralisa está mais associado com as nossas emoções mais profundas.

Toda mudança começa de dentro. Não é possível transformar nada sem transformar a si mesmo. As emoções nos movem. O hábito é um padrão emocional que já está enraízado no corpo, nosso corpo se acostumou com ele. Por isso é necessário observar e transformar nosso estado emocional para podermos promover alguma mudança nos hábitos. E essa é a primeira dica!


1 - Observe suas emoções
Quais são os meus "auto boicotes"? Quais as emoções que me travam, que costumam vir à tona e me paralisar diante de alguma meta ou objetivo? Existe alguma emoção constante que está sempre comigo da qual eu quero "fugir" (como tristeza, melancolia, desânimo, etc.)? A solução é olhar pra isso, entender sua raiz. Somente compreendendo podemos transformar. Uma terapia sempre ajuda.

Ainda sobre as emoções, porém agora observando as positivas,  ajuda nos questionarmos: Como eu quero me sentir? E o que já me fez eu me sentir assim, ou o que pode me ajudar a trazer essa emoção em mim? Por exemplo eu quero me sentir mais bem disposta, com mais energia e menos preguiça e quando eu fazia exercícios físicos regularmente eu me sentia assim, mais bem disposta, logo já sei o que devo fazer. 



2- Repense suas metas e objetivos
Seus objetivos e metas estão de acordo com a sua natureza? Você reconhece que são coisas que realmente vão te fazer bem e não uma exigência de fora, da sociedade ou de parentes? São metas que realmente te movem, que fazem sentido pra você? E aqui entra a motivação, que é o nosso combustível para realizar. Sem motivação nada acontece. E se você não está motivado com seus objetivos é porque talvez esses não sejam os objetivos mais adequados pra você. Aqui não devemos pensar em certo ou errado, mas sim no que faz sentido de verdade pra gente. 

3- Respeite seu tempo, seja realista e faça uma coisa de cada vez
Você reconhece seu tempo interno? Você está respeitando isso dentro dessas metas? São metas que você realmente pode realizar dentro desse período, é realmente possível? 
A maior dica em um processo de mudança é colocar metas e objetivos possíveis, pois quando nós realizamos algo nos sentimos vitoriosos e capazes e essa sensação nos impulsiona a realizar mais. Em contrapartida quando colocamos muitas metas ao mesmo tempo ou objetivos muito dificeis para nosso momento de vida, tendemos a não realizar e focar no fracasso, quando nos sentimos fracassados nos desanimamos e a tendência é desacelerarmos, ficar pra baixo e realizar menos ainda...é um ciclo vicioso. Por isso faça uma coisa de cada vez, no máximo 3 objetvos por vez é o ideal, com prazos realistas e comece sempre pelo mais fácil, para alimentar em você a sensação de sucesso. 


4- Comemore as pequenas vitórias
Você acordou cedo hoje, comemore! Você não se abalou com o copo que quebrou, comemore também! Você cozinhou seu próprio almoço ao invés de comer uma bobagem na rua, se dê parabéns por isso! Comemorar as pequenas vitórias, se parabenizar pelos pequenos atos, é uma técnica que realmente funciona, pois nos ajuda a manter a mente focada no positivo, nos ajuda a nos sentir bem com a gente mesmo. Lembrando que todos os pensamentos liberam substâncias químicas no corpo, então tudo o que pudermos fazer para liberar substâncias que nos ajudem, é um ótimo caminho. 

5- Lista, listas e mais listas
Planeje. faça listas, ponha horários, crie o seu método e sua forma de disciplina. Isso é muito importante, pois organiza os pensamentos e organiza o nosso dia a dia tão caótico. Como diria o poeta Renato Russo "disciplina é liberdade". E na dose certa é mesmo!



6- Quadro de desejos
A última dica e não menos importante é uma técnica de arteterapia muito gostosa de fazer e que dá resultados maravilhosos: Montar um "quadro de desejos". A prática é bem simples: depois de organizar mentalmente, e de preferencia no papel também, alguns objetivos para seu ano (levando em consideração todas as dicas anteriores), procure imagens em revistas, jornais ou até mesmo na internet (aí depois é só imprimir) que simbolizem pra você os seus objetivos do ano. Cole essas imagens em uma cartolina e depois decore como desejar. Você pode escrever algumas coisas também, mas o foco é nas imagens. Decore de forma visualmente agradável e bonita para você e depois pendure esse quadro em um local que você veja sempre, o ano todo. Além de estar sempre se lembrando do que você estabeleceu como meta pra você, esta prática acessa diretamente nosso inconsciente através das imagens. Olhando pra ela todos os dias estamos enviando mensagens para nosso inconsciente de que é aquilo que vamos realizar. E como nosso inconsciente se conecta com o universo inteiro, assim mandamos também essa mensagem pro universo!


Boas realizações e um 2019 de muita prosperidade para todos nós!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

O caminho do Louco: O processo de Individuação e os 22 arcanos maiores do Tarot

O Tarot é muito mais do que um jogo. Os 22 Arcanos maiores do Tarot nos contam uma história simbólica sobre o nosso próprio inconsciente, nosso próprio Processo de Individuação, isto é, nosso processo de evolução interior. Compreender os arquétipos presentes em cada carta é compreender várias partes de si mesmo e de sua jornada!


Um dos conceitos base da psicologia analítica é o conceito de arquétipo. O arquétipo é um registro simbólico que existe em nosso inconsciente, sobre imagens e símbolos universais na historia da humanidade. Um exemplo: Mãe. Quando falamos a palavra "mãe" já vem milhões de idéias e informações na nossa mente, pois o nosso inconsciente tem uma idéia do que é "mãe". A mãe é um arquétipo. Não importa se a nossa mãe não foi perfeita, nós com certeza temos um ideal, uma idéia na nossa mente do que é uma mãe perfeita. Da mesma forma existe o arquétipo do herói, do sábio, do rei, da rainha, da mulher bruxa, da mulher princesa, e de tantos outros infinitos ideais.

Jung percebeu que acessar esses arquétipos, através de contos de fada, de filmes, de imagens ou na clínica, ajudava muito o processo de autoconhecimento de uma pessoa, porque através do acesso a essa idéia, a pessoa sai do discurso racional diretamente para o inconsciente. Peça para uma pessoa que você mal conhece falar dela mesma, provavelmente ela vai ficar desconfiada, sem graça, se sentindo exposta. Agora peça para essa mesma pessoa que você mal conhece falar de um personagem de um filme ou de um conto de fada que ela mais gosta. Normalmente a pessoa fala sem problemas, e até se empolga contando detalhes daquele personagem, e assim ela está na verdade falando dela mesma.

Quando nos identificamos com uma historia ou personagem nos identificamos porque existe naquela historia elementos nossos, da nossa personalidade, da nossa vida, que muitas vezes estão inconscientes e aquela historia ou personagem em questão nos chama a atenção e nem sabemos direito porque. crianças fazem muito isso, brincam que "são" os personagens de uma historia. Se observarmos com atenção com certeza essa escolha de "quem são" diz muito sobre quem são de fato e o que sentem.


Por isso o Tarot é uma ferramenta incrível para o trabalho na clinica, os arcanos do Tarot são pura e simplesmente arquétipos, que acessam direto nosso inconsciente. E quando tiramos uma carta ainda estamos trabalhando com um outro conceito Junguiano o da sincronicidade.

Segundo Jung não existem coincidências, mas sim sincronicidades. Se dois eventos acontecem sem uma causa especifica e carregam um significado pessoal, isso é uma sincronicidade e o universo está querendo "falar com você". Com o conceito de inconsciente coletivo, Jung nos traz a visão de que não estamos totalmente separados do universo, tudo está conectado. E a ampliação da nossa consciência depende desse mergulho dentro desse mundo não racional.

O inconsciente e o consciente existem num estado profundo de interdependência recíproca e o bem-estar de um é impossível sem o bem-estar do outro. Esta percepção talvez seja uma das mais importantes contribuições de Jung para uma nova e mais significativa compreensão da natureza da consciência: Só poderia ser renovada e ampliada, na medida em que a vida exigisse que ela fosse renovada e ampliada, pela manutenção de suas linhas não-racionais de comunicação com o inconsciente coletivo.


Por esse motivo Jung dava grande valor a todos os caminhos não-racionais ao longo dos quais o homem tentara, no passado, explorar o mistério da vida e estimular o seu conhecimento consciente do universo que se expandia à sua volta em novas áreas de ser e conhecer. Essa é a explicação do seu interesse, por exemplo, pela astrologia, e é também a explicação da significação do Tarot.

Ele reconheceu de pronto, como o fez em muitos outros jogos e tentativas primordiais de adivinhação do invisível e do futuro, que o Tarot  tinha sua origem e antecipação nos padrões profundos do inconsciente coletivo, com acesso a potenciais de maior percepção à disposição desses padrões. Era outra ponte não-racional sobre o aparente divisor de águas entre o inconsciente e a consciência, que poderia ajudar a ampliar o crescente fluxo de movimento entre a escuridão e a luz.

Simbolicamente o Arcano de numero 0, O Louco, representa cada um de nós, viajando por todo esse mundo, interno e externo, dos outros 21 arcanos.  O louco representa o arquétipo do andarilho, que se joga na vida por um impulso que vem da alma, muitas vezes sem saber racionalmente ao certo pra onde essa caminhada vai o levar, apenas sente que deve ir. Quem busca o autoconhecimento, ou na linguagem Junguiana a Individuação, sabe que é exatamente essa a sensação. Mergulhamos em nós mesmos em uma jornada sem volta, num processo que sentimos que precisamos seguir. Muitas vezes somos chamados por outros de loucos, inclusive.


Em alguns baralhos o arcano "O Louco" aparece como "The Fool", que significa o tolo, essa tolice vem no sentido de ingenuidade, pois esse arcano representa o inicio de uma jornada onde estamos muito animados e empolgados, mas ainda não sabemos o que nos espera. Porém ao fim dessa jornada o tolo se torna o sábio, e é exatamente essa transformação que o autoconhecimento nos proporciona.

O Caminho do Louco é o caminho que todos nós fazemos na vida, dentro e fora de nós. É o "sair da caverna" do Platão, descobrir que existe todo um universo lá fora e uma jornada a seguir, caminhar e descobrir suas maravilhas e terrores. Se observarmos em sequência todos os arcanos perceberemos que eles contam uma história semelhante à jornada do herói dos contos e mitologias, e assim como na jornada do herói, cada etapa desse caminho fala também sobre nossos processos internos nos deparando com o processo de autoconhecimento no caminhar da vida. Por isso o uso do Tarot dessa forma mais terapêutica é tão eficaz, pois nos ajuda a compreender padrões de comportamento e a nos direcionar na caminhada da vida.

Então boa caminhada para todos os loucos e heróis que seguem o árduo porém recompensador caminho da busca por se "re-conhecer" e simplesmente ser quem você é!

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Transformação e Individuação

Se eu pudesse resumir com as minhas palavras o que é o processo de individuação eu diria que é um processo de habitar (ou re-habitar) seu verdadeiro eu, aquele o qual nos distanciamos tanto durante a vida, isto é, nosso Self. Não se trata de uma descoberta, porque ele já existe, ele é você, se trata de uma aproximação, se trata exatamente de passar a "morar" nele, habitá-lo.


Na jornada da vida sempre nos distanciamos desse verdadeiro eu, criando uma lacuna enorme entre quem realmente somos e o que mostramos para o mundo (e muitas vezes para nós mesmos). Durante a formação de nosso ego, construímos máscaras (as personas) as quais acreditamos  por muito tempo ser, reprimimos características que não agradam esse ego em construção, isto é, que não agradam ao nosso "ideal" de ser, ideal este que normalmente corresponde às exigências sociais, familiares, religiosas, etc. E assim uma grande parte de nossas características fica na escuridão da inconsciência (sombra). Reprimimos também, jogando pra debaixo do tapete da inconsciência, o nosso pólo oposto, Yin ou Yang, aquela energia que não ficamos tão confortáveis em lidar (Anima Animus) e tudo isso faz com que uma grande parte do nosso ser esteja inconsciente, e a gente só tenha consciência de uma pontinha do iceberg infinito que é a nossa psique, logo nos distanciamos obviamente de quem realmente somos, porque somos tudo, tanto o que está sendo visto, quanto o que não está (que é na verdade muito maior).

Quando damos início a um processo de autoconhecimento, seja uma terapia, meditações, ou mesmo da sua maneira individual, começamos o processo de iluminar a escuridão, de tirar da inconsciência esses aspectos. Primeiro começamos a perceber que as nossas máscaras sociais podem ser úteis, mas não são quem somos de verdade. Ao abandoná-las ou ressignificá-las, aprofundamos em quem realmente somos e começa a surgir na consciência tudo isso que estava "debaixo do tapete"...E você vai assim se conhecendo cada vez mais, se tornando cada vez mais completo, reconhecendo cada vez mais a sua natureza. O self é a inteireza da psique. É você finalmente se conhecer como um todo e a sua consciência habitar esse todo, e não mais se limitar a olhar pro mundo através da janelinha microscópica do ego.


É um processo difícil de viver na prática, é um processo infinito, pois como Jung dizia não tem um "final do caminho" nem um objetivo, se existe algum objetivo é o próprio processo. Mudamos muito durante esse processo. Porém observo em mim mesma e na minha clínica que o que mais atrapalha as transformações nesse processo são os apegos, os famosos hábitos. 

Todos nós temos padrões de comportamentos que há muito tempo consideramos destrutivos e queremos mudar. Todos nós temos pensamentos autolimitantes que muitas vezes nos colocam pra baixo e nos paralisam. Todos nós temos emoções que nos boicotam, nos bloqueiam, e parecem nos fazer regredir sempre. Mesmo estando no processo de autoconhecimento e individuação, todos nós costumamos nos sentir em algum momento paralisados ou regredindo por nosso hábitos.
Afinal, como mudar isso?

Como já sabemos, para transformar qualquer coisa é preciso, antes de tudo conhecê-la. Precisamos estar conscientes de quem somos no momento( isto é, ser sincero com você mesmo sobre o quanto você se conhece hoje e quais são as limitações e potencialidades que você vê em você),  de onde estamos nos limitando e o que exatamente que queremos mudar em nós para nos tornarmos nossa melhor versão de ser. Precisamos estar conscientes de como nossa mente influencia no nosso corpo e no nosso ambiente, como nossos pensamentos influenciam nas nossas emoções e na nossa vida. Depois de tomarmos consciência desses processos começamos a ser capaz de modificá-los.


No livro "Quebrando o hábito de ser você mesmo" Dr. Joe Dispenza, bioquímico, cientista e neurologista, nos apresenta uma série de conhecimentos que nos dão base para compreender melhor a nossa mente. A física quântica e a neurociência já provam hoje uma nova maneira de compreender a realidade externa e interna, como um processo único em constante troca, com o qual nós podemos trabalhar em conjunto, criar em conjunto com o universo, já pensou nisso?

Tudo que existe no universo, todos nós, todos os animais, todas as árvores, todos os seres vivos e também não vivos, todos os objetos...tudo que existe é feito em menor escala da mesma "substância". A menor partícula de todas, que compõe todos os corpos de tudo o que existe, não se comporta sempre como partícula, quando ela não está interagindo ou sendo observada ela se comporta como uma onda, uma frequência, ou podemos dizer como energia. Isso é o que a Física quântica vem estudando há anos, resumindo e simplificando muito, tudo o que existe é energia. São ondas, frequências vibracionais. Você vibra em uma frequência e se alinha com frequências semelhantes, e toda a sua vida é direcionada dessa forma.


Uma das maiores mentiras em que acreditamos a respeito de nós mesmos e da nossa verdadeira natureza é que não passamos de seres físicos limitados por uma realidade material. Restringir a verdade sobre a nossa real natureza é escravizante e nos mantém como seres finitos vivendo uma vida linear que carece de algum significado real. E é a essa busca por propósito que todos estamos, pois no fundo todos sentimos que precisamos descobrir a verdade, como no filme Matrix, sabemos lá no fundo que existe algo mais. Somos limitados apenas pelas perguntas que fazemos, pelas crenças que adotamos e por nossa habilidade de manter a mente e o coração abertos ao novo, e ir além. 

A ansiedade a depressão a frustração, raiva, culpa, dor, preocupação, tristeza – emoções manifestadas regularmente por bilhões de pessoas – não são naturais. São sim o motivo da vida desequilibrada e deslocada do verdadeiro eu. Não são emoções “normais”, são comuns, porém não são naturais. E imagine só a frequência que você se alinha quando carrega essas emoções constantemente! As pessoas querem mudar a vida sem mudar elas mesmas, e isso não é possível.

Os estados de consciência supostamente “alterados” que atingimos durante uma meditação, por exemplo, ou observando a natureza em um momento de paz interior, são de fato os estados mais naturais da mente humana e deveríamos nos esforçar para viver neles em nosso cotidiano. Manter estados emocionais e pensamentos alinhados em coerência com o que desejamos criar em nossa vida, em nosso dia a dia e em nosso futuro é a chave para transformar tudo.


Muitas vezes somos viciados em algumas emoções, pois as emoções liberam químicas em nosso corpo e o nosso corpo quer aquela química. O nosso corpo não entende nenhuma emoção como boa ou ruim, isso é um julgamento do cérebro, o nosso corpo simplesmente quer aquela química. Logo mudar esses hábitos, esses padrões emocionais, pode levar mesmo um tempo e exige esforço e dedicação, no livro que citei o autor sugere a meditação como ferramenta para auxiliar o processo. A meditação ajuda muito, pois atua diretamente no cérebro modificando as ondas cerebrais e enviando para o corpo novas químicas, mais saudáveis. Exige esforço e disciplina inicialmente, porém só depende de você.

Você não tem como criar uma nova realidade, ou resolver uma situação em sua vida, sendo a mesma pessoa que você é hoje, é preciso mudar. Abrir mão de determinados comportamentos, transformar pensamentos e emoções, se reconstruir. Somente você pode fazer isso. Esse é o seu poder e a sua responsabilidade.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Navaratri - A vitória da luz sobre a sombra

Hoje começa o Navaratri um dos maiores festivais da Índia.
O Navaratri tem um significado muito rico, ele é celebrado para remover a nossa ignorância existencial. 
Durante nove noites e dez dias, as casas, as ruas, as cidades, tudo é bem decorado e começa a brilhar. Uma atmosfera de festa aparece em todos os lugares. As pessoas vestem roupas novas e muita música, dança, comidas e alegria avivam a vida da população. Simbolicamente o Navaratri representa a vitória da luz sobre a sombra, no processo espiritual de todos nós. E isso é feito através das adorações às personificações de Shakti, o principio feminino.


Assim, é dito que Shiva, que simboliza a consciência pura, só pode ser conhecido através de Shakti, que representa a Divina Energia. E é por isso que as pessoas adoram Shakti, que é Devi (princípio feminino), em Suas várias manifestações.

Durante os três primeiros dias do Navaratri, Durga é adorada. Ela personifica o aspecto de Shakti que destrói as nossas tendências negativas. O processo de tentar controlar nossos sentidos é similar a uma guerra onde a mente resiste a todas as tentativas de controle sobre ela.


A adoração a Lakshmi acontece nos três dias seguintes. Lakshmi representa a prosperidade, nos ajuda a transcender o "paradigma da escassez" ou a "ilusão da falta", ela nos mostra que temos acesso à toda energia disponível no universo, pois somos parte dessa energia, logo nosso potencial é infinito. A abundância fluí dentro de nós.


Os três últimos dias são dedicados a Saraswati, a incorporação do Conhecimento, da sabedoria divina. Ela simboliza a iluminação da Verdade Suprema.


O décimo dia é Vijaya Dashami, ou festival da vitória, que simboliza o momento em que a Verdade nasce no interior. As tendências negativas precisam ser controladas; as suas qualidades  e potencialidades necessitam ser assimiladas; depois de ganhar necessária pureza mental,o conhecimento espiritual pode ser adquirido. Somente então a verdade nasce.

Podemos perceber nessa filosofia grande semelhança com o processo de individuação Junguiano, onde primeiro temos que confrontar nossas tendências destrutivas, como as tantas personas que não nos servem mais e a nossa sombra, e assim iluminando a sombra começamos a integrar também nossas qualidades e tomar consciência de nosso potencial infinito, para só então, a partir daí poder nascer a verdade: O Self, uma mudança de paradigma que nos faz compreender a sabedoria única de que somos tudo isso e muito mais que tudo isso.


"A deusa Durga é uma incorporação de Shakti( princípio feminino) que representa a superação do mal no mundo. Que nesse Navaratri você possa usar suas bençãos e seu poder para superar os problemas em sua vida. Desejo à você um Feliz Navaratri"


O que na minha opinião é lindo, é que na Índia eles passam por todos esses processos internos, através de suas orações, mantras e rituais, em clima de alegria e festa. Eles me parecem compreender sabiamente que a mudança e a transformação fazem parte da vida. Nós, ocidentais, normalmente (pois não gosto de generalizar nada) esperamos o pior para mudar. Ficamos em nossa zona de conforto e esperamos o pior cenário, seja interno ou externo, esperamos o incomodo ser insuportável para mudar alguma coisa. Porque mudar apenas no sofrimento se podemos escolher mudar na alegria?

Se você sabe que pode ser melhor do que você é no momento, se reconhece que não está utilizando toda a sua energia e o seu potencial, se movimente, se transforme, saia da sua zona de conforto e siga o caminho, difícil porém satisfatório de se conhecer e se aprimorar. Nem sempre é somente agradável, mas sempre é necessário.

Precisamos confrontar nossas questões e aspectos internos para podermos transcendê-los. Precisamos aceitar pra transformar. Precisamos compreender quem somos, para nos tornar quem queremos ser. 

Aproveitem a energia desses nove dias para promover mudanças internas. Afinal, o externo, o coletivo, só reflete quem somos.
Feliz Navaratri para todos!

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Jung e Espiritualidade

Inspirada pela minha participação na Semana de Psicologia da Universidade Estácio de Sá em Campos, na mesa: Religião, Cultura e Ética, decidi escrever esse mês sobre o tema da espiritualidade na Psicologia Analítica, pois percebi que ainda existem muitos equívocos e mitos que precisam ser esclarecidos.

A primeira coisa pra abordar dentro desse tema é diferenciar espiritualidade de religião, pois muitas pessoas ainda confundem os dois. A espiritualidade pode estar presente nas religiões, podemos acessá-la através das religiões, mas a religião não é o único caminho para a espiritualidade.  Toda religião traz consigo um sistema de crenças, dogmas, regras e deveres que qualquer um que quiser fazer parte dela precisa cumprir. Já a espiritualidade é livre, totalmente livre, ela é a sua forma pessoal de se relacionar com o transcendente.


E aqui entra o mais importante: Este transcendente não é necessariamente Deus; não aquele Deus personificado do cristianismo, que te castiga e te gratifica dependendo das suas ações, não o Deus de nenhuma outra religião; a espiritualidade também é livre nisso, você pode ter a sua própria e pessoal relação com o divino e esse divino, esse transcendente, pode ser por exemplo a natureza, ou o seu próprio Self. Um ateu pode ser sim uma pessoa espiritualizada, em contato com o transcendente, isto é, com a sua própria espiritualidade.

E o que é Transcendente então?

Jung define, em Natureza da Psique (1998), função transcendente como “união de conteúdos conscientes e inconscientes”. Isto é, a totalidade psíquica. Essa união resulta na mudança do centro organizador da psique, deixando de ser o Ego o centro organizador e passando a ser o que Jung chamou de Self, o centro organizador da nossa totalidade psíquica.

Simplificando, no processo de autoconhecimento vamos ampliando a nossa consciência, pois cada vez mais aprofundamos no conhecimento de nós mesmos como um todo. Quanto mais nos tornamos conscientes de nossa totalidade, isto é, de tudo que está presente em nossa psique, nossas sombras, nossos opostos, e integramos tudo isso, mais nos aproximamos desse Self, desse outro centro mais profundo. Nossa perspectiva, nossa forma de ver o mundo e de se relacionar com ele não fica mais limitada ao olhar do nosso ego, ela amplia. Passamos a ver e nos relacionar com o mundo sem estar tão presos à nossa ideia de identidade, o que eu gosto, ou não gosto, aos nossos conceitos de certo e errado, aos nossos preconceitos, pois entendemos que somos muito mais além de tudo isso. Somos o todo e parte dele. Somos o universo. 


Espiritualidade então é esse transcender, seja da forma que for. Não tem nada a ver com crença, religião, com acreditar em algo após a morte, ou com acreditar que temos um fantasminha dentro da gente..rs... E Carl Gustav Jung percebeu que todo ser humano traz de forma inata esse impulso por transcender, e isso é espiritualidade para Jung. Quando nos perguntamos quem somos nós? De onde viemos? Pra onde vamos? Estamos buscando essa totalidade, buscando nos ampliar... Mesmo no pensamento cientifico existe essa busca por ir além do ego, ir além dessa realidade material e racional que conhecemos, e isso é espiritualidade.

É exatamente esse impulso que nasce com todo ser humano, que Jung dizia ser fundamental para o processo terapêutico, pois se você não se percebe além do seu próprio ego, o processo de individuação não ocorre, fica estagnado. A pessoa se identifica com suas emoções, com seus pensamentos, e nunca amplia porque fica presa na ideia do "eu sou isso". Hoje vemos como muitas pessoas se identificam com as patologias as quais são diagnosticadas,  " eu sou ansiosa", " eu sou depressiva", "eu tenho esse diagnostico x e por isso não posso fazer essa atividade", sem perceberem o quanto isso é limitante e paralisante. Quando o ego se identifica com algo ele não quer abrir mão daquilo. Isso é uma característica do ego, é como ele funciona, ele serve exatamente para a nossa construção de identidade, então ele não quer perder a identidade. Isso é fundamental num primeiro momento da vida, no qual precisamos compreender quem somos para nos relacionar com o mundo externo. Porém existe sim um momento que precisamos nos compreender além disso.


Quando nos identificamos com algo o processo de mudança se torna muito mais difícil. Se você percebe que você não é apenas o ego, você entende que você não é assim, você está assim, e então você pode mudar! Você não é ansiosa, você está ansiosa devido a milhões de fatores externos e internos, mas você é muito mais do que isso, e consequentemente, você tem o poder de mudar isso.

O trabalho da Terapia Junguiana, o processo de individuação, se dá dessa forma, observamos e trabalhamos com símbolos, arquétipos, sonhos, meditações, acessando o inconsciente pessoal e coletivo, para que a pessoa se perceba além desse ego, para que ela perceba o universo que ela é e se aproxime da sua totalidade. Como diria Jung: “A questão não é atingir a perfeição, mas sim a totalidade”

O Self seria o "resultado" do processo de individuação, que é esse processo de unir consciente e inconsciente se tornando uma totalidade. O Self é o centro da totalidade. Enquanto o ego é apenas o centro do nosso consciente. O primeiro passo é compreender que não somos apenas o nosso ego, isto é, a nossa ideia de identidade, somos muito mais do que isso.

Se existem coisas que eu não me lembro, mas que eu sei que estão em algum lugar da minha psique, se existem os sonhos, os insights...Já por aí sabemos que não somos somente o que está consciente. E o mais importante é perceber que nós observamos tudo isso, todo esse processo acontecer, quando algo vem à tona, uma lembrança, um trauma, quando sonhamos...existe "alguém" observando tudo isso, analisando tudo isso. Existe "alguém" que olha de fora do ego pra esse ego, na terapia por exemplo. Então é esse observador que nós somos. E não o ego. Isso nos traz uma sensação de liberdade, de que não estamos fechados em uma caixinha de condições de ser...não precisamos disso, porque não somos essa caixinha, somos do tamanho de um universo, infinito.


Antigamente as pessoas tinham diversos mitos e rituais presentes no seu dia a dia, que as ajudavam muito a fazer contato com essa transcendência e a lembrar que somos mais do que robozinhos programados pra trabalhar, produzir, ganhar dinheiro, casar e ter filhos. A espiritualidade estava presente nesses rituais, os símbolos estavam presentes na vida e ajudavam a psique passar por seus processos de transformação.

No livro "Símbolos da Transformação" Jung diz que um símbolo pode transformar a sua vida. Porque o símbolo acessa diretamente a energia psíquica inconsciente, e pode causar uma transformação na energia psíquica, transformando você mesmo, sua forma de pensar, de agir, e logo toda a sua vida. Hoje em nossa sociedade nós quase não trabalhamos com o simbólico, não temos mais rituais, nos distanciamos dessa linguagem e nos distanciamos da amplitude que tudo isso pode nos proporcionar. Somos jogados num mundo acelerado onde temos que processar e digerir milhões de informações por segundo, passando por processos até mais intensos de mudança do que antigamente e sem nenhuma ajuda. Sem nenhuma pausa para fazer essa "digestão". Não é à toa que as doenças consideradas pela medicina "de fundo emocional" ou "psicossomáticas" tem aumentado tanto. Não é à toa que a busca por remédios psiquiátricos tem aumentado tanto. E não é à toda que a sombra coletiva, isto é, tudo que está reprimido na sociedade (como o preconceito, a intolerância, a raiva, etc.) tem aumentado tanto.

Então precisamos sim, urgentemente,  olhar pra nossa espiritualidade. Precisamos sim acessar o que é simbólico, o que é transcendente, para nos compreendermos além dos egos e com esse ponto de vista mais amplo nos transformar, enquanto ainda há tempo. Quando Jung e os Junguianos falam da importância da espiritualidade para o processo terapêutico, é sobre isso que estamos falando, sobre essa urgência de mudar o paradigma pessoal e social no qual nos encontramos atualmente. "A mente só pode ser ampliada através da linguagem não racional.", afinal como vamos ampliar algo a partir do que ele já é? Busque ir além de suas certezas, duvide de quem você é, do que você vê, questione, sempre. Vá além de quem você acredita ser, para encontrar quem você realmente é.  





terça-feira, 31 de julho de 2018

Como fluir com a sua natureza

Quantas vezes você já se sentiu “remando contra a maré”?
Como se você se esforçasse e nada parecesse dar certo?
Normalmente quando sentimos isso continuamos insistindo na mesma direção, nos esforçando até o limite do nosso cansaço, e ao chegar nesse limite, desistimos. Nos sentimos injustiçados pela vida, nos lamentamos pros outros e pra nós mesmos, e muita vezes ficamos paralisados sem saber pra onde seguir.

Existe um conceito na filosofia oriental que diz que se estamos fazendo muito esforço numa direção e sentimos que nada está dando certo, então a direção não é aquela. Provavelmente não estamos fazendo o que deveríamos, isto é, o que é mais condizente com a nossa natureza. Os orientais compreendem que todo ser tem uma função nesse planeta, e se você encontrar essa função, isto é, se você descobrir o que é mais natural pra você, e como realizar isso, você fluí com a maré e não mais contra ela. E tudo começa a fluir junto com você.


Olhando por esse prisma o ideal nesses momentos onde tudo parece “dar errado” seria parar e observar. Procurar entender “porque estou insistindo nisso?”, “será que é isso mesmo que eu devo fazer?”, “esse caminho condiz com a minha natureza, com o que eu quero pra mim?”. E após essa análise poderíamos redefinir a rota, para um caminho mais condizente com o nosso interior.

Existem muitas pessoas que não conseguem fazer essa análise por estarem muito distantes de si mesmo. Muitas vezes acreditam que são de uma determinada maneira, e não percebem que essa tal maneira são apenas máscaras sociais ou imposições externas. Por isso o primeiro passo é se conhecer. O autoconhecimento nos traz a possibilidade de reconhecer a nossa natureza e descobrir como fluir na vida. Porém para se conhecer é preciso se questionar. Se você está cheio de certezas, você nunca estará aberto a transformação, ficará estagnado para sempre em suas convicções.  Quem tem muita certeza não se abre para o novo.

Duvidar de si mesmo é a abertura para se conhecer mais, duvidar do caminho é a abertura para entender como fluir melhor com a vida. O caminho é de dentro para fora. É preciso primeiro saber quem é você de verdade, o que você faz naturalmente bem, o que você sente satisfação em fazer, o que te faz sentir pleno...para então entender como aplicar isso de forma prática na sua vida e no seu dia a dia.


A nossa vida é um reflexo do nosso interior. Precisamos estar mais próximos de quem realmente somos, mais satisfeitos e confiantes, para que o lado de fora possa fluir. Porém o caminho do autoconhecimento não é fácil, é preciso olhar pra muitas coisas que não queremos ver. É preciso encarar nossos próprios monstros e muitas vezes, sofrer. E é aí que muitas pessoas desistem. Preferem se manter com suas eternas certezas, que não as levam a lugar nenhum, ou com suas infinitas lamentações, culpando o outro, a sociedade, a vida, ou Deus, pelas suas próprias dificuldades.

Muitas vezes essas certezas e lamentações se tornam uma “zona de conforto”, isto é, um costume conhecido e de certa forma confortável, e sair desse estado se torna ainda mais difícil.  A zona de conforto na maioria das vezes é um estado inconsciente, a pessoa não gosta da situação em que está e realmente acredita que quer mudar, mas não faz o movimento necessário, porque o lugar em que está é um estado conhecido há muito tempo e por mais que ela queira sair daquele estado, o desconhecido parece mais ameaçador.

Todos nós temos nossas zonas de conforto, perceber quais são e dar um primeiro passo para fora delas é transformador de uma forma mágica! Na teoria é simples, perceba um padrão seu, algo que você acredita que nunca irá mudar, algum comportamento que você tem há muito tempo, às vezes aquilo te incomoda,mas você acredita que não consegue fazer diferente. Experimente se esforçar pra fazer um pouquinho diferente, uma só vez, é o suficiente pra você mudar a sua percepção e entender como você estava condicionado aquilo.


Trabalhando em conjunto com o autoconhecimento esse movimento tem um potencial incrivelmente transformador. A chave é: Encontrar o equilíbrio entre reconhecer a sua natureza e enfrentar as suas dificuldades. Perceber como você realmente funciona, qual a sua natureza, suas tendências, seus pontos fortes e fracos e usar isso para se esforçar diante das suas próprias limitações e ultrapassá-las: essa "receita" pode mudar a sua vida.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Self - o "eu" maior

"Todo mundo quer renascer, mas ninguém quer morrer."
Sábia frase que ouvi essa semana no documentário "O Eu Maior", que inclusive indico para todos que buscam autoconhecimento e transformação.
A questão é: Transformação requer desapego. Qualquer mudança exige que se abra mão de algumas coisas, para que coisas novas possam entrar em seu lugar. Seja um comportamento ou um hábito, ou algo externo como uma mudança física, é preciso deixar coisas para trás, para poder seguir o novo caminho. Como querer o novo se não abrirmos mão do antigo?


Abrir mão, literalmente, é deixar ir. Muitas vezes seguramos algo, mesmo que tenhamos a consciência de que esse algo já não nos serve mais. Seguramos porque temos medo de soltar. Porque acreditamos que aquilo faz parte de quem somos, da nossa identidade, ou porque acreditamos que aquilo agrada aos outros (ou à alguém), nos faz sentir queridos, ou simplesmente porque temos medo de ficar com as mãos vazias...aliás temos uma medo enorme do vazio...e esquecemos que o vazio é o espaço que antecede o novo. Para algo novo preencher, precisa ter espaço, precisa ter vazio.

Muitas vezes, devido a todos esses medos, é a própria dor que seguramos, o próprio sofrimento. Nos apegamos aquela dor como se fosse "nossa", olhamos pro outro e pensamos ou dizemos: "você não entende a minha dor", e aquilo se torna um valor imenso, e se tem valor, não queremos abrir mão.

Outras vezes o que seguramos é um instante de alegria, e esquecemos que todo instante passa. E passamos a insistir em tentar repetir aquele instante a vida inteira, mas nos frustramos porque esquecemos que um instante não volta. Haveriam  muitos outros instantes de alegria, mas nunca iguais aquele, porém como em suas mãos existe aquele instante específico, você não consegue mais "segurar" nenhum outro e vive se frustrando porque nenhum novo instante é igual aquele que passou.


As emoções são passageiras, precisamos vivê-las quando surgem e deixá-las ir. Não há nada de especial em estar imensamente feliz ou intensamente triste, são apenas energias que passam. Nós ficamos. E isso é o que há de especial. Nós, que ficamos. Independente da emoção, independente do acontecimento externo, independente do momento, existe um "eu" que continua. E é para ele que deveríamos dar atenção.

Morrer simbolicamente nos processos de transformação pode ser muitas vezes sofrido, doloroso. Porém precisamos sair dessa eterna infância em que vivemos onde só buscamos os prazeres porque assim não se cresce. Como disse Jung: "Ninguém se torna iluminado por visualizar figuras de luz, mas sim por tornar consciente sua própria escuridão." e esse processo não é fácil. O processo terapêutico não é fácil. Olhar pra si mesmo não é fácil, mas é necessário para todos que desejam ser quem realmente são.

É preciso morrer pra renascer. Essas partes que nunca queremos abrir mão, por acreditar que somos nós, são apenas camadas superficiais que escondem nossa natureza. E poucos tem a coragem de ir além delas.


quarta-feira, 6 de junho de 2018

Livre arbítrio: o problema (e a solução) da escolha

Hoje devido a uma aula de um dos cursos que dou aqui em Campos, comecei a refletir profundamente sobre a questão das escolhas. Não só pela aula, mas também por ser uma problemática recorrente na clínica (e na vida!), que surge de diversas formas, mas sempre em torno da mesma questão: a dificuldade e o medo de escolher.

O tal livre arbítrio seria uma dádiva ou um tormento? Na minha opinião pode ser ambos, dependendo da maneira como lidamos com esse poder. De fato independente de ser um presente ou um castigo dos deuses, é um poder que todos nós temos e precisamos aprender como usá-lo.



Não é raro ver pessoas com um medo tremendo de tomar decisões sérias na vida. Talvez até mesmo algumas paralisações patológicas, como a crise de pânico por exemplo ou a depressão, sejam também um medo inconsciente de tomar uma atitude, de se mover, decidir, escolher, agir...pois o que virá depois? Obviamente as consequências. E se você escolheu sozinho essas consequências serão de sua responsabilidade e daí vem o enorme medo que muitas pessoas apresentam de agir na vida.

Isso pode ser bem mais profundo do que parece. A famosa "zona de conforto", aquela posição que nem sempre é confortável, mas é conhecida, muitas vezes nos deixa totalmente estagnados e, não raro, estagnados no sofrimento. E mesmo com o sofrimento ali presente, o medo de escolher um caminho, escolher mudar, ainda permanece maior. E se o livre arbítrio, esse poder de escolher e decidir as próprias ações e os próprios caminhos, é uma capacidade de todo ser, porque temos tanto medo de utiliza-lo? Como disse anteriormente toda escolha, toda ação, tem uma consequência. Nosso medo é de sermos responsáveis pela nossa própria vida. Pela nossa própria felicidade ou infelicidade. 


Então escolher não é tão simples. Escolher está atrelado a ser responsável por si mesmo e pela sua vida e isso está totalmente relacionado ao seu nível de amadurecimento emocional. Quando crianças temos o pai e a mãe, ou adultos que fazem esse papel, para escolher pela gente. O nome já diz são os "responsáveis" pela criança. Responsável é aquele que "responde por". Os pais respondem pela criança, por suas ações e às vezes até por suas falas, pois entendem que a criança ainda não desenvolveu amadurecimento emocional suficiente para responder por si mesma. Muitos pais estendem esse processo além do necessário, e muitas pessoas se acomodam nessa posição, que parece confortável, de ter o outro se responsabilizando por você, transferem essa relação para o marido ou para a esposa, para um líder da nação, para um líder religioso, ou enfim, para Deus. Porém ter sempre alguém "respondendo por você" é abrir mão da sua própria voz. 

Essa voz, esse ego, deveria ter sido construído e fortalecido gradativamente e naturalmente ao longo do amadurecimento de cada um. A criança precisa gradativamente ter o seu espaço, a sua voz, decidir a roupa que quer usar, como quer seu corte de cabelo, pequenas coisas desse tipo que não a farão mal algum e que vão construindo sua personalidade, para no futuro começar, aos poucos, a tomar decisões mais contundentes, inicialmente com a ajuda e aconselhamento dos adultos e numa idade ideal, sozinha. Porém como falamos antes esse processo nem sempre acontece, pois nem sempre os pais tem esse entendimento. E muitas vezes acontece também o oposto, a pessoa é forçada (devido à necessidades externas) a se responsabilizar antes da hora, por questões, pessoas ou situações que não condizem com seu amadurecimento emocional. Isso também gera uma sensação de profunda insegurança. Mais ainda se alguma coisa "der errado" nessas escolhas, a pessoa pode crescer com uma culpa ou um arrependimento paralisante.


Preciso inclusive fazer um parentese sobre o arrependimento, que está totalmente atrelado à questão das escolhas. Muitas pessoas carregam arrependimentos por toda a vida, e começam a ter dificuldade de lidar com decisões grandes, por essa sensação de que escolheram "errado". Aqui a aceitação é a chave, você fez uma escolha e mesmo que tenha sido uma escolha impulsiva ou inconsciente, naquele momento foi o que você poderia lidar, o que a sua consciência era capaz de escolher, então foi o melhor pra você, não importa o que seja.

Jung traz em sua teoria a ideia de que não vivemos nada por acaso, tudo que vivemos faz parte do nosso próprio processo de individuação, isto é, de amadurecimento, e no momento que aceitamos isso, compreendemos um sentido maior em tudo o que vivemos. Além disso quem somos hoje foi construído também, em parte, pelas nossas experiências passadas. Se ame no presente e você será grato à todas elas, simplesmente por ser quem você é hoje. Isso não significa ser "vítima" dessas experiências passadas, mas sim aprender com elas e ter a consciência de que elas fazem parte de você.


A saída para a questão das escolhas é por um lado aceitar a responsabilidade por você mesmo e por sua própria vida. Sair da posição de vítima das circunstâncias para a posição ativa de quem está segurando as "rédeas" e escolhendo o caminho. E por outro lado buscar estar o mais consciente possível a cada encruzilhada. É necessário conectar o seu ego com "algo maior", seu Self, seu deus interior, sua essência, ou como quiser chamar. É aquele algo que une o racional, o emocional e a certeza transcendente de que é por ali que se deve seguir. Essa conexão só acontece através do autoconhecimento profundo.

Tem um ditado popular que diz que ignorância é uma benção, mas na verdade é exatamente o contrário. Nós causamos nosso próprio sofrimento por ignorância, por não termos consciência das nossas escolhas e responsabilidade sobre as consequências delas. Sem autoconhecimento como vamos nos libertar do sofrimento?